A taxa de desemprego total na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) permaneceu estável em 9,8% da População Economicamente Ativa (PEA) entre novembro e dezembro de 2009, ao mesmo tempo em que o nível de ocupação ao longo do último ano também ficou relativamente estável (-0,2%). Os dados foram apresentados na manhã desta quinta-feira, 28, e são parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada mensalmente pela Fundação João Pinheiro, Dieese, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese-MG) e Fundação Seade.
No balanço anual, a População Economicamente Ativa (PEA) da RMBH apresentou 0,4% de crescimento, com total de desempregados estimado em 258 mil pessoas e de ocupados em 2.245 mil. A RMBH apresentou taxa de desemprego de 10,3%, a menor entre as seis regiões estudadas. O destaque do mercado de trabalho ficou por conta do setor de serviços, que gerou 1 milhão 271 mil empregos. As outras contratações ocorreram na indústria (308 mil), comércio (325 mil) e construção civil (170 mil).
No setor público houve crescimento de 5,5% em contratações e o setor privado teve redução de 0,9%, com decréscimo de 9 mil empregos com carteira assinada e de 2 mil sem registro na carteira (1,2%). O trabalho autônomo retraiu em 3,7% e teve 16 mil ocupações a menos, enquanto o emprego doméstico teve 5 mil contratações a menos. Já no agregado “demais posições ocupacionais” o aumento foi de 7,5%, com incremento de 3 mil ocupações.
Ainda de acordo com o boletim anual, a distribuição dos rendimentos do trabalho manteve-se em relativa estabilidade. Os ganhos mais significativos ocorreram nos rendimentos médios com destaque para a construção civil, que teve um ganho de 8,6% (R$ 1.068), e o setor de serviços domésticos, com aumento de 5,7% (R$ 479). A indústria teve um aumento de 4,8%, com rendimentos estimados em R$ 1.269, o setor de serviços elevou em 5,5% (R$ 1.409) e, no comércio, o aumento foi de 4,4% nos rendimentos médios, correspondendo a R$ 998.
O coordenador da PED pelo Dieese, Mário Rodarte, considera este cenário positivo. “Apesar da crise que impactou o primeiro semestre, o crescimento da renda do trabalhador foi positivo e isto se mantém para o mercado interno e, principalmente, para o ano que começa”, explicou.
Também otimista, o coordenador da PED pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos de Souza, afirma que 2009 foi um ano bastante positivo. “Quando tratamos de rendimentos, com aumentos de 5,8% entre os ocupados, sendo que há uma série de aumentos nos rendimentos desde 2005, acreditamos que essa seja a tendência para o 2010”, observou.
Dezembro - Entre novembro e dezembro de 2009 foram gerados 15 mil empregos na indústria e 2 mil no comércio, enquanto a construção civil registrou retração de 9 mil postos de trabalho, o setor de serviços perdeu 7 mil vagas e o agregado “Outros setores” diminuiu 2 mil vagas. “Em dezembro a indústria voltou a se destacar, o que comprova que, apesar de contar com um balanço que denota retração no número de vagas em 2009, esse setor inicia uma trajetória de recuperação que tende a se estender para 2010”, explicou Souza.
Neste mesmo período, houve redução de 3 mil ocupações no setor privado, 2 mil entre aqueles sem registro em carteira, 4 mil entre os autônomos e diminuição de 1 mil postos no emprego doméstico. Em movimentação contrária, o setor público apresentou acréscimo de 4 mil empregos e, no agregado “demais posições”, houve crescimento de 3 mil ocupações.
O rendimento real médio dos ocupados foi estimado em R$ 1.263 em novembro de 2009, com crescimento de 1,4% em relação ao mês anterior, enquanto o salário real médio aumentou em 1,1% em relação a outubro. O rendimento dos autônomos diminuiu 0,6%, sendo estimado em R$ 1.057 e, no setor privado, a retração foi de 0,5% no salário médio da indústria e de 0,9% no setor de serviços. No comércio, foi registrado aumento de 3,3%.
Comparando os meses de dezembro de 2009 e 2008, observa-se estabilidade no nível ocupacional. No período, o setor de serviços gerou 68 mil postos de trabalho e a construção civil, 12 mil. Em contrapartida, houve retração de 39 mil vagas na indústria, 27 mil no comércio e 11 mil no agregado “Outros setores”.
No setor privado houve acréscimo de 8 mil empregos com carteira assinada e 5 mil sem carteira assinada. No setor público houve crescimento de 18 mil empregos e nas “demais posições” houve aumento de 14 mil ocupações. O emprego doméstico apresentou perda de 9 mil postos e, entre os autônomos, a retração foi de 33 mil ocupações. No período, o tempo médio de procura por trabalho aumentou de 45 para 46 semanas.
Perspectivas para 2010 - Para 2010 as projeções apontam para um cenário de crescimento a partir do segundo semestre, com recuperação acentuada da economia e perspectiva de crescimento da ocupação com conseqüente queda da taxa de desemprego. “Espera-se o desenvolvimento de setores-chave como a indústria, que vem superando a crise, a construção civil, que atravessa um momento de crescimento das contratações, e o setor de serviços, um dos que mais gera postos de trabalho”, afirmou Souza.
A expectativa da equipe da PED é que os números da pesquisa para o próximo semestre sejam positivos. “A crise econômica está sendo superada de forma gradual e é necessário um tempo de adaptação para que os reflexos dessa recuperação possam ser sentidos de forma mais efetiva no mercado de trabalho”, concluiu Souza.
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DEZEMBRO 2009:
ESTIMATIVAS DO NÚMERO DE PESSOAS DE DEZ ANOS E MAIS, SEGUNDO CONDIÇÃO DE ATIVIDADE, TAXAS DE DESEMPREGO E DE PARTICIPAÇÃO
REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE
DEZEMBRO: 2008 / NOVEMBRO-DEZEMBRO: 2009
|
CONDIÇÃO DE ATIVIDADE |
ESTIMATIVAS (EM MIL PESSOAS) |
VARIAÇÕES |
|||||||
|
ABSOLUTA |
RELATIVA (%) |
||||||||
|
dezembro-08 |
novembro-09 |
dezembro-09 |
dez-09/ |
dez-09/ |
dez-09/ |
dez-09/ |
|||
|
nov-09 |
dez-08 |
nov-09 |
dez-08 |
||||||
|
População em idade ativa |
4.143 |
4.200 |
4.205 |
5 |
62 |
0,1 |
1,5 |
||
|
População economicamente ativa |
2.498 |
2.541 |
2.540 |
-1 |
42 |
0,0 |
1,7 |
||
|
Ocupados |
2.288 |
2.292 |
2.291 |
-1 |
3 |
0,0 |
0,1 |
||
|
Desempregados |
210 |
249 |
249 |
0 |
39 |
0,0 |
18,6 |
||
|
Em desemprego aberto |
167 |
188 |
193 |
5 |
26 |
2,7 |
15,6 |
||
|
Em desemprego oculto pelo trabalho precário |
20 |
30 |
28 |
-2 |
8 |
-6,7 |
40,0 |
||
|
Em desemprego oculto pelo desalento |
23 |
31 |
28 |
-3 |
5 |
-9,7 |
21,7 |
||
|
Inativos com 10 anos e mais |
1.645 |
1.659 |
1.665 |
6 |
20 |
0,4 |
1,2 |
||
|
Taxas (%) |
|||||||||
|
Desemprego total |
8,4 |
9,8 |
9,8 |
0,0 |
1,4 |
0,0 |
16,7 |
||
|
Participação (PEA/PIA) |
60,3 |
60,5 |
60,4 |
-0,1 |
0,1 |
-0,2 |
0,2 |
||
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI), Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED/RMBH). Convênio FJP/Dieese/Seade/Sedese-MG.
Nota: Projeções populacionais atualizadas. Ver Notas Metodológicas na página 6.
ANUAL:
ESTIMATIVAS DO NÚMERO DE PESSOAS DE 10 ANOS OU MAIS DE IDADE, SEGUNDO CONDIÇÃO DE ATIVIDADE, TAXAS DE DESEMPREGO E DE PARTICIPAÇÃO
REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE 2008-2009
|
CONDIÇÃO DE ATIVIDADE |
ESTIMATIVAS (EM MIL PESSOAS) |
VARIAÇÕES |
||
|
ABSOLUTA |
RELATIVA (%) |
|||
|
2008 |
2009 |
2009/2008 |
2009/2008 |
|
|
População em idade ativa (PIA) |
4.115 |
4.178 |
63 |
1,5 |
|
População economicamente ativa (PEA) |
2.494 |
2.503 |
9 |
0,4 |
|
Ocupados |
2.250 |
2.245 |
-5 |
-0,2 |
|
Desempregados |
244 |
258 |
14 |
5,7 |
|
Em desemprego aberto |
187 |
200 |
13 |
7,0 |
|
Em desemprego oculto pelo trabalho precário |
27 |
28 |
1 |
3,7 |
|
Em desemprego oculto pelo desalento |
30 |
30 |
0 |
0,0 |
|
Inativos com 10 anos e mais |
1.621 |
1.675 |
54 |
3,3 |
|
Taxas (%) |
||||
|
Desemprego total |
9,8 |
10,3 |
0,5 |
5,1 |
|
Participação (PEA/PIA) |
60,6 |
59,9 |
-0,7 |
-1,2 |
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI), Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED/RMBH). Convênio FJP/Dieese/Seade/Sedese-MG







