A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte caiu de 11,2% para 10,7% no mês de maio de 2008, um recuo de 4,5%. É o menor índice da série histórica, igualado apenas pelo índice de dezembro de 1996, primeiro ano da pesquisa. O número de desempregados totalizou 276 mil no mês, 12 mil a menos do que em abril, quando foi 338 mil pessoas. A População Economicamente Ativa (PEA) foi estimada em 2,582 milhões e o número de ocupados em 2,306 milhões. A queda relevante no desemprego em maio deveu-se à geração de 26 mil ocupações na RMBH, número que superou as 14 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho no mês.
As informações são da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte, divulgada nesta quarta-feira, 25, pela Fundação João Pinheiro em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
Taxa de desemprego pode baixar de dois dígitos até o fim do ano
Foram criadas de 37 mil vagas entre os trabalhadores com carteira assinada no mês e 113 mil vagas quando se compara maio de 2008 com o mesmo mês de 2007. Segundo o sociólogo Plínio de Campos Souza, coordenador da pesquisa pela Fundação João Pinheiro, e os economistas Mário Rodarte, que coordena o trabalho pelo Dieese e Mateus Cópio, pela Sedese, “com esse desempenho, o total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 1,032 milhão o que significa 47,5% do total dos ocupados da RMBH, que é de 2,306 milhões, maior percentual da série que se iniciou em 1996 e indica a continuidade na tendência já detectada de formalização do mercado de trabalho na grande BH.” Os pesquisadores entendem que “até o fim do ano, não havendo nenhum sobressalto na economia, a taxa de desemprego na RMBH pode baixar de dois dígitos, o que já ocorreu com a taxa de Belo Horizonte analisada separadamente, onde ela foi de 9,2%, e também a menor da série para a capital”.
Comércio se recupera depois de início de ano ruim
Por setores de atividade econômica, a pesquisa verificou a ampliação de 27 mil postos de trabalho no comércio, de 9 mil nos serviços e de 2 mil na indústria. A construção civil perdeu 7 mil ocupações e o agregado "outros setores" 5 mil postos. Comparando maio de 2008 com maio de 2007, foram criadas 80 mil ocupações, sendo 46 mil nos serviços, 21 mil na indústria, 13 mil no comércio e 6 mil na construção civil. Somente no agregado “outros setores de atividade” registrou-se perda de 6 mil ocupações. O economista Mário Rodarte, explica que “o comércio se recuperou, criando 27 mil ocupações em maio, depois de iniciar 2008 em baixa, embora seus rendimentos não tenham tido o mesmo comportamento, provavelmente por estar pagando salários menores no mês”.
Também foram criadas 5 mil ocupações entre os assalariados sem carteira. No setor público houve relativa estabilidade, com 1.000 postos a mais. O emprego doméstico perdeu 5 mil ocupações, os autônomos apresentaram redução de 9 mil postos e nas "demais formas de inserção" a redução foi de 3 mil ocupações.
Comparando maio de 2008 com maio de 2007, houve geração de 113 mil empregos com carteira assinada e perda de 13 mil entre os sem carteira no setor privado. No setor público foram criados 19 mil postos de trabalho, o emprego doméstico apresentou relativa estabilidade, com 1.000 vagas a menos. Entre os autônomos houve redução de 14 mil ocupações e no agregado "demais formas de inserção" a redução foi de 24 mil postos. O tempo médio gasto pelos desempregados na procura por trabalho em maio ficou em 47 semanas, três a mais em relação a abril.
Rendimentos crescem por três anos consecutivos
Comparando abril a março de 2008, o rendimento real médio dos ocupados variou em 0,7% e passou de R$1.025 para R$1.032. O salário real médio elevou-se em 1,2%, de R$1.062 para R$1.075. Para os autônomos houve redução de 2,9%, passando de R$832 para R$808. No setor privado, o salário médio variou em 0,6%, ficando em R$917: na indústria aumentou em 4%, de R$1.021 para R$1.062, no comércio caiu em 4,6%, de R$808 para R$771, e nos serviços manteve-se relativamente estável (-0,3%), passando de R$906 para R$904. A massa de rendimento real dos ocupados decresceu em 0,9%, reflexo da retração no nível ocupacional. A dos assalariados apresentou relativa estabilidade (-0,1%), visto que o nível de emprego reduziu-se e o salário real médio aumentou. Segundo Mário Rodarte, o rendimento vem crescendo nesses últimos três anos em função da economia do país estar indicando para um crescimento sustentável.
Comparando abril de 2008 a abril de 2007, o rendimento real médio dos ocupados aumentou 3,8%, ao passar de R$994 para R$1.032, e dos assalariados cresceu 4,9%, passando de R$1.025 para R$1.075. O rendimento real médio dos autônomos apresentou aumento de 11,1%, elevando-se de R$727 para R$808. Na indústria houve perda de 4,9%, de R$1.117 para R$1.062, no comércio o rendimento subiu 7,4%, de R$718 para R$771 e nos serviços aumentou em 6,5%, de R$ 849 para R$904. A massa de rendimentos dos ocupados elevou-se em 6,7%, e a dos assalariados, em 10,1%. Em ambos os casos, esse comportamento resultou da elevação do rendimento real médio e do nível de ocupação.
BH continua com menor desemprego entre as regiões analisadas
A taxa média de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em 14,4% contra 15% de abril de 2008, a menor para maio desde 1998 quando começou o boletim metropolitano. Belo Horizonte, com 10,7%, continua tendo a menor taxa entre elas, seguida de Porto Alegre com 12,2%, São Paulo com 14,2%, Distrito Federal com 17,4%, Salvador com 20,8% e Recife com 20,8%. O número de desempregados nas seis regiões foi de 2,949 milhões, o de ocupados foi de 16,930 milhões e a PEA ficou em 19,879 milhões. Foram criados 85 mil postos de trabalho, número superior às 68 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho, o que resultou em diminuição de 17 mil desempregados.
Entre os setores de atividade, os serviços criaram 39 mil postos de trabalho, a construção civil criou 12 mil, e o denominado “outros setores” criou 66 mil. Em contrapartida, o comércio perdeu 20 mil postos de trabalho e a indústria 12 mil. Os rendimentos foram de R4731 em Recife (+2,8%) de R$1051 em Porto Alegre (+2,7%), de R$901 em Salvador (1%), de R$1032 em Belo Horizonte (0,7%). Não variaram em São Paulo (R$1207) e no Distrito Federal (R$ 1649).
Segundo os pesquisadores Mário Rodarte e Mateus Cópio, a tendência é de que essa situação favorável continue porque “o consumo e os investimentos estatais e privados estão em alta e há indicadores de que a economia brasileira este ano vai crescer acima do PIB. Mesmo com a intenção do governo federal de subir a taxa de juros e a inflação estar em um momento com tendência a alta, não acreditamos que a economia vá retroceder porque essa inflação não é de característica retro alimentadora e os juros podem ser controlados”.
TABELA 1
ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA, ECONOMICAMENTE ATIVA,
OCUPADA, DESEMPREGADA E TAXA DE DESEMPREGO TOTAL.
REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE (RMBH)
Maio de 2007 a Maio de 2008
Meses 2007
| População em Idade Ativa – PIA | População Economicamente Ativa – PEA | Ocupados | Desempregados | TAXA DE DESEMPREGO |
Mai. | 4.196.000 | 2.564.000 | 2.226.000 | 338.000 | 13,2% |
Jun. | 4.206.000 | 2.566.000 | 2.240.000 | 326.000 | 12,7% |
Jul. | 4.215.000 | 2.571.000 | 2.255.000 | 316.000 | 12,3% |
Ago. | 4.225.000 | 2.569.000 | 2.266.000 | 303.000 | 11,8% |
Set. | 4.234.000 | 2.583.000 | 2.289.000 | 294.000 | 11,4% |
Out. | 4.243.000 | 2.588.000 | 2.290.000 | 298.000 | 11.5% |
Nov. | 4.253.000 | 2.594.000 | 2.306.000 | 288.000 | 11,1% |
Dez. | 4.262.000 | 2.587.000 | 2.302.000 | 285.000 | 11,0% |
Meses 2008
| População em Idade Ativa – PIA | População Economicamente Ativa – PEA | Ocupados | Desempregados | TAXA DE DESEMPREGO |
Jan. | 4.272.000 | 2.614.000 | 2.326.000 | 288.000 | 11,0% |
Fev. | 4.281.000 | 2.599.000 | 2.303.000 | 296.000 | 11,4% |
Mar. | 4.291.000 | 2.609.000 | 2.312.000 | 297.000 | 11,4% |
Abr. | 4.301.000 | 2.568.000 | 2.280.000 | 288.000 | 11,2% |
Mai. | 4.310.000 | 2.582.000 | 2.306.000 | 276.000 | 10,7% |
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio -FJP/DIEESE/SEADE/SEDESE – MG | |||||



