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Estudo revela prioridades de qualificação profissional na RMBH

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Faltam administradores, gerentes e profissionais qualificados para atendimento ao público na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Entre adultos, a carência se estende aos cargos de gerentes em diversos setores e vendedores para o varejo. Já entre os jovens, também falta qualificação para empregados domésticos, trabalhadores braçais e auxiliares de escritório.

A conclusão é parte da publicação “Qualificação e Mercado de Trabalho: Apontamentos para Política Pública na Região Metropolitana de Belo Horizonte”, lançada nesta quarta-feira, 07 de dezembro, pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – Dieese, com apoio da Fundação João Pinheiro e Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (SETE).

O estudo, que teve como base os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pelas instituições na Região Metropolitana de Belo Horizonte, identifica as principais necessidades de qualificação profissional e tem como objetivo contribuir para uma gestão eficiente do sistema público de emprego, trabalho e renda.

Divisão por idade – Para a construção do estudo foram avaliados separadamente jovens (16 a 25 anos) e adultos (26 a 60 anos). A abordagem diferenciada deveu-se a algumas particularidades da população jovem em relação ao mercado de trabalho, considerando que alguns fatores indicativos das transformações da estrutura demográfica na RMBH diferenciam a inserção dessa parcela da sociedade no mercado de trabalho.

Entre outros aspectos, a proporção de jovens na População em Idade Ativa (PIA) da RMBH sofreu considerável queda: de 25,6% (2001-2002) para 20,3% (2009-2010). A mudança pode ser atribuída à postergação do ingresso da população jovem no mercado de trabalho em favor de maior atenção aos estudos, propiciada por um cenário favorável tanto pelo lado da oferta (recuperação da massa de rendimentos), quanto pelo lado da demanda (maior escolaridade).

 

Escolaridade - No biênio 2001-2002, a PIA da RMBH contabilizava uma média de 8,2 anos de estudo. Em 2009-2010, a média de escolaridade aumentou para 9,5 anos, o que refletiu em uma oferta de trabalho mais qualificada na região, já que a média de anos de estudo da População Economicamente Ativa também aumentou, atingindo 9,9 anos no último biênio.

Mesmo assim, de acordo com o estudo, no período avaliado o mercado passou a exigir do trabalhador um nível de instrução cada vez maior, o que está fortemente associado ao desenvolvimento experimentado nos últimos anos. Profissionais com maior nível de instrução, por sua vez, obtém rendimentos consideravelmente maiores do que os observados para trabalhadores com menor grau de instrução.

 

Perfil - O estudo caracterizou trabalhadores subqualificados, aqueles que possuem qualificação compatível com a posição ocupada e aqueles sobrequalificados.

No biênio 2009-2010 verificou-se que os ocupados adultos subqualificados tinham, de forma geral, faixa etária mais avançada, maior tempo de permanência na atual ocupação e menores rendimentos. Entre a população adulta, este grupo também foi o que registrou menor proporção de contribuintes à previdência.

Já os jovens subqualificados apresentaram inserção ainda mais precária se comparados à população adulta de mesma caracterização. No mesmo período, observou-se que a população entre 16 e 25 anos considerada subqualificada tem menor idade dentro desta faixa etária, permanece por menos tempo na ocupação, possui menores rendimentos e aparece em menor proporção – tanto entre jovens, quanto entre adultos - na parcela de contribuintes previdenciários.

 

Prioridades para investimentos em qualificação profissional na RMBH

Adultos

Administradores e gerentes para o setor do comércio - Estimados em 41 mil trabalhadores na RMBH no biênio 2009-2010, 65,1% são homens com idade média de 42 anos e 11,2 anos de estudo. A média de permanência na ocupação é de 116 meses, com rendimento médio de R$ 1.544. Aproximadamente 84,0% deste grupo contribui para a previdência social.

 

Administradores, gerentes e diretores (diversos setores) – Estimados em 46 mil trabalhadores no último biênio, também têm predominância masculina (67,0%). A média de idade identificada para este grupo é de 43 anos, com 12,7 anos de estudo e R$ 2.533 de rendimento médio. Cerca de 88,1% desses trabalhadores contribuem para a previdência.

 

Vendedores (comércio varejista) – Estimados em 85 mil trabalhadores no período avaliado, sendo 50,1% homens com idade média de 39 anos e 9,8 anos de estudo. Este grupo tem rendimento médio de R$ 752 e permanece, em média, 65 meses no emprego. Do total do contingente, 73,8% contribuem para a previdência.

 

Atendentes de bar e lanchonete, garçons, frentistas e repositores de mercadorias – Estimados em 37 mil trabalhadores, sendo 52% do sexo masculino, têm uma média de 38 anos e 8,2 anos de estudo. A permanência média deste grupo no posto de trabalho é de 58 meses, com rendimento médio de R$ 524. 73, 6% contribuem para a previdência.

 

Jovens

Empregados domésticos e trabalhadores braçais – Estimados em 33 mil jovens trabalhadores no biênio 2009-2010, são predominantemente do sexo masculino (74%), com idade média de 21 anos e 8,1 anos de estudo. Este grupo tem rendimento médio de R$ 442 e permanece, em média, 15 meses no emprego. Somente 55% contribuem para a previdência social.

 

Profissionais de atendimento ao  público  (comércio e serviços de alimentação) – Estimado em 36 mil trabalhadores no período, com maioria masculina (56,6%), o grupo tem idade média de 21 anos, 9,4, anos de estudo e permanece, em média, 14 meses no posto de trabalho. Com rendimento médio de R$ 431, 74,0% contribuem para a previdência.

 

Auxiliares de escritório – O contingente de jovens trabalhadores estimados para esse grupo é de 37 mil. Destes, 59,2% são do sexo feminino, com idade média de 21 anos e 11,3 anos de estudo. A permanência média deste grupo no posto de trabalho é de 19 meses, com rendimento médio de R$ 529. 91, 6% contribuem para a previdência social.

 

 

Assessoria de Comunicação | Fundação João Pinheiro

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