Estado é o primeiro do país a implantar sistema de monitoramento regular desse tipo de serviço
Responsáveis pelas ações na área de saneamento básico, os municípios brasileiros enfrentam diversas dificuldades para direcionar investimentos para o setor. Diante desse cenário e com os objetivos de sistematizar as informações sobre os serviços de saneamento nos municípios mineiros e subsidiar a formulação de políticas públicas, o Governo de Minas lançou na tarde desta terça-feira, 22, o Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento – SEIS (Decreto 45.137/2009).
De acordo com as políticas nacionais de saneamento básico e de habitação, baseadas no princípio de desenvolvimento urbano integrado, o SEIS irá direcionar o apoio do Governo do Estado aos municípios no planejamento, financiamento e gestão de políticas voltadas para o setor.
Desenvolvido pelo Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro, em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (SEDRU) e com apoio técnico da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA-MG), o projeto coletou e sistematizou dados sobre a gestão municipal e os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo e destinação final de resíduos sólidos e drenagem pluvial urbana nos 853 municípios, 780 distritos e localidades de pequeno porte (vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, lugarejos e aldeias) de Minas Gerais.
Projeto inovador, o SEIS coloca Minas Gerais como o primeiro Estado do país a implantar um sistema de monitoramento regular da situação do saneamento em seus municípios. O estudo teve como base o período 2008-2009.
“Sem dúvida, este foi um grande desafio. O SEIS tem um nível de detalhamento até então inédito no Brasil, e disponibiliza uma gama de informações extremamente valiosas”, observou o diretor do Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro, Frederico Poley.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, Bilac Pinto, o lançamento do projeto coroa os esforços do Governo de Minas para o conhecimento e monitoramento dos serviços de saneamento básico de seus municípios.
“Este é o primeiro sistema na área de saneamento e, a partir dele, vamos ter o incremento para a efetiva formulação de políticas públicas nesta área. O Sistema irá servir de base para formulação do Plano Estadual de Saneamento”, afirmou.
RESULTADOS
Abastecimento de água
Em 2009, 83,2% da população residente nas sedes municipais e 64,4% da população residente nos distritos de Minas Gerais tinham acesso à rede de abastecimento de água. Aqueles que não tinham acesso ao serviço, utilizavam soluções alternativas.
Em todo o Estado, a região Jequitinhonha/Mucuri foi a que apresentou o menor percentual de população atendida (61,42%). A Região Metropolitana de Belo Horizonte teve a maior cobertura (93,91%), sendo que 98,8% da população residente na Capital tinha, em 2009, acesso à rede de abastecimento.
Entre as 769 sedes municipais que declararam realizar tratamento da água, 53 cidades (6,39%) não possuíam ETA (Estação de Tratamento de Água). Destas, praticamente 50% estão localizadas nas regiões Sul, Zona da Mata e Central.
Abastecimento de Água: População Atendida
|
Região de Planejamento |
População atendida (%) |
|
Alto Paranaíba |
79,54 |
|
Central |
79,86 |
|
Centro Oeste de Minas |
83,29 |
|
Jequitinhonha/Mucuri |
61,42 |
|
Mata |
70,36 |
|
Noroeste |
66,24 |
|
Norte |
68,33 |
|
Rio Doce |
73,51 |
|
Sul de Minas |
76,69 |
|
Triângulo |
87,61 |
|
RMBH |
93,91 |
|
Minas Gerais |
79,97 |
Fonte: Seis
Esgotamento sanitário
768 (90,04%) municípios e 331 distritos (42,44%) dispunham de rede de esgotamento sanitário em 2009 e 85 sedes municipais não possuíam esse tipo de rede. Destes, 45 estão localizados na região Norte de Minas.
No total, 68,23% da população residente em Minas Gerais tinha acesso, em 2009, a redes de esgotamento sanitário. Os maiores percentuais de população atendida pelo serviço foram verificados na RMBH (81,65%) e Triângulo Mineiro (86,15%). Em Belo Horizonte, 96% da população tinha acesso a rede de esgotamento sanitário no período analisado.
Entre as sedes municipais que declararam possuir rede de esgoto em Minas Gerais, 40,89% não possuíam Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e 24,48% tinham ETEs em operação. No entanto, é elevado o número de municípios com ETEs planejadas e/ou projetadas e/ou em construção, o que indica a existência de um processo de expansão do tratamento do esgoto no Estado.
Esgotamento Sanitário: População Atendida
|
Região de Planejamento |
População atendida (%) |
|
|
|
||
|
Alto Paranaíba |
77,19 |
|
|
Central |
60,74 |
|
|
Centro Oeste de Minas |
72,11 |
|
|
Jequitinhonha/Mucuri |
42,21 |
|
|
Mata |
62,16 |
|
|
Noroeste |
48,99 |
|
|
Norte |
31,57 |
|
|
Rio Doce |
66,97 |
|
|
Sul de Minas |
71,77 |
|
|
Triângulo |
86,15 |
|
|
RMBH |
81,65 |
|
|
Minas Gerais |
68,23 |
|
Fonte: Seis
Manejo e destinação final de resíduos sólidos
Em todos os municípios de Minas Gerais havia, em 2009, coleta – direta e/ou indireta – de lixo doméstico. 63% dos municípios utilizavam aterros controlados para destinação final do lixo coletado, 12% dispunham de aterro sanitário e 17% lançavam esses resíduos a céu aberto em despejo simples, o que equivale ao lixão.
No período analisado, 25% dos municípios de Minas Gerais dispunham de coleta seletiva, mas em 13,4% destes o programa tinha abrangência somente parcial. Em mais de 40% das cidades do Estado não existia projeto de implantação desse tipo de programa.
Destinação final do lixo coletado nos municípios de Minas Gerais em 2009
|
Tipo de destinação final do lixo |
% de Municípios |
|
Outro |
2% |
|
Não responderam |
6% |
|
Aterro sanitário |
12% |
|
Lixão |
17% |
|
Aterro controlado |
63% |
|
Total |
100% |
Fonte: Seis
Drenagem pluvial urbana
No ano de 2009, 94,77% dos municípios do Estado possuíam sistema de drenagem pluvial urbana. A região Sul de Minas era a única na qual todas as cidades dispunham desses sistemas e, proporcionalmente, tinha o maior número de distritos que contavam com o serviço de drenagem (95,74%).
A região Noroeste foi a que apresentou o quadro mais deficitário em relação ao sistema de drenagem, com 21,05% das sedes municipais sem o serviço. No entanto, estavam no Triângulo Mineiro, proporcionalmente, o maior número de distritos sem o serviço de manejo das águas pluviais (59,09%). Em Minas, o percentual total dos distritos que não possuíam rede de drenagem no período avaliado era 24,50%.
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