Em 2010 a taxa de desemprego total entre os negros na Região Metropolitana de Belo Horizonte registrou queda, passando de 11,4% (2009) para 9,5%. Entre os não-negros, a taxa diminuiu de 9,0% (2009) para 7,0% (2010). No período avaliado, os negros representaram 63,0% do contingente de desempregados, percentual acima do registrado entre a população ocupada (54,9%) e a População Economicamente Ativa – PEA (55,6%).
Os dados são parte de um Boletim Especial desenvolvido no âmbito da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMBH), e foram apresentados na manhã desta quinta-feira, 17, pela Fundação João Pinheiro, Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete) e Dieese.
Em termos gerais, entre 2009 e 2010 a taxa de desemprego total caiu de 10,3% para 8,4% da PEA. Esta redução deveu-se à queda das taxas de desemprego aberto (8,0% para 6,7%) e de desemprego oculto (2,3% para 1,6%).
A situação de queda foi observada tanto entre negros (negros e pardos), como entre não-negros (brancos e amarelos): entre a população negra feminina, a taxa decresceu de 14,2% em 2009 para 12,1% em 2010 e, entre os homens negros, a taxa caiu de 9,0% (2009) para 7,3% (2010). Para mulheres não-negras, a taxa de desemprego caiu dos 11,1% registrados em 2009 para 8,9%, enquanto, para homens não-negros, a taxa passou de 7,2% (2009) para 5,3% (2010).
Mesmo assim, ao se comparar os dois anos, é possível perceber que a população negra, independente de sexo, permanece com as maiores taxas. Homens negros e mulheres negras e não-negras são os segmentos populacionais mais afetados pelo desemprego.
“Embora os negros representem 55,0% da População em Idade Ativa (PIA) da RMBH, entre os desempregados eles são 63,0%”, observou o coordenador da PED pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos.
Setores – No período analisado, indústria e comércio foram os setores que mais geraram oportunidades de trabalho (15 mil e 12 mil, respectivamente), seguidos pela construção civil (6 mil), setor em que os negros estão proporcionalmente mais presentes na comparação com o total da população ocupada. Já no setor público (5 mil ocupações geradas), segmento que geralmente tende a oferecer plano de cargos e salários, há proporcionalmente uma menor inserção da população negra.
“Há uma presença majoritária de negros na construção civil e nos serviços domésticos, assim como a maioria dos ocupados no setor público é de não-negros”, explicou Campos. “No setor público, onde o trabalhador se insere por meio de concurso, a tendência é que os postos de trabalho sejam ocupados por pessoas de escolaridade mais elevada”, completou.
Horas trabalhadas - Houve acréscimo na jornada de trabalho média semanal nos setores de serviços (de 39 para 40 horas), indústria (de 41 para 42 horas) e serviços domésticos (de 37 para 38 horas). Entre os comerciários, setor que detém a jornada mais longa, independente de raça/cor, observou-se estabilidade (45 horas para negros e 44 para não-negros).
“Não há diferenças significativas nas jornadas de trabalho de negros e não-negros por que isso é normalmente definido em acordos de categorias, valendo para todos”, afirmou Campos.
Rendimentos - A disparidade de rendimento entre não-negros e negros é de 27,6% no setor público e de 27,9% na iniciativa privada. “Normalmente há uma diferença do rendimento médio a favor dos não-negros, o que mostra que o trabalhador negro se insere predominantemente em setores que exigem menor qualificação e, portanto, que oferecem menores remunerações”, observou o coordenador da PED.
Em 2010 o rendimento médio dos trabalhadores negros foi de R$ 1.158, enquanto, para não-negros, o valor registrado foi de R$ 1.750. “Houve melhoria em relação a 2009, mas a diferença ainda é significativa”, concluiu Campos.
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