A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) passou de 9,7% em fevereiro para 10,2% em março. Normalmente esperado para o primeiro trimestre, o crescimento da taxa veio acompanhado de um recorde: em março de 2010, o percentual de trabalhadores com carteira assinada no setor privado foi o maior da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada mensalmente desde 1996 pela Fundação João Pinheiro, Dieese, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese-MG) e Fundação Seade. As informações foram apresentadas nesta quarta-feira, 28, na Sedese.
“Hoje, quase metade dos ocupados na Grande Belo Horizonte são assalariados com carteira assinada no setor privado e, por isso, têm os direitos definidos pela CLT garantidos. Em março de 1999, esse percentual era de apenas 39,1%”, explicou o coordenador da Pesquisa pelo Dieese, Mário Rodarte.
Em março, 2.515 milhões de trabalhadores formavam o contingente da População Economicamente Ativa (PEA) na RMBH. Destes, 2.258 milhões eram ocupados e 257 mil desempregados. O mercado de trabalho das seis regiões metropolitanas avaliadas apresentou o mesmo comportamento, mas Belo Horizonte registrou um percentual abaixo da média nacional, apresentando a segunda menor taxa de desemprego no período, ficando atrás somente de Porto Alegre, que atingiu 9,8%. O Distrito Federal teve taxa de 14,7%, Recife de 19,3%, Salvador de 19,9% e São Paulo de 13,1%.
“O primeiro trimestre sempre tende a ter menor movimentação de contratações, o que é natural no mercado de trabalho e, por isso, normalmente espera-se o crescimento da taxa de desemprego. Apesar disso, em 2010 houve queda da taxa em janeiro e fevereiro, por isso a diferença para março”, afirmou o Superintendente de Trabalho, Emprego e Renda da Sedese, Paulo Guerra.
Histórico - Mesmo com o aumento da taxa, os meses de março de 2009 e de 2010 são os melhores da série histórica da PED. Segundo Mário Rodarte, apesar da eliminação de 14 mil postos de trabalho e do aumento da taxa, o nível de desemprego, igual ao de março de 2009, é o mais baixo para o mesmo período desde que a PED começou a analisar o mercado de trabalho da RMBH. “Vale lembrar que este indicador encontrava-se em 21,3% da PEA em março de 2004. Só um aumento do ritmo de criação de novas ocupações tal como o que se verificou nos últimos seis anos poderia trazer a taxa de desemprego para níveis que se encontram no presente, dado que o número de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho também foi grande ao longo dos últimos anos”, explicou.
Entre março e fevereiro de 2010 a construção civil manteve-se relativamente estável (- 1 mil), enquanto o setor de serviços teve retração de 13 mil postos de trabalho e o comércio perdeu 9 mil vagas. “A retração no setor de serviços reflete, em grande medida, a redução de vagas no setor público (17 mil)”, afirmou Rodarte.
Em contrapartida, na indústria foram gerados 9 mil empregos. “A indústria foi o setor mais afetado pela crise no ano passado, mas agora retomou o crescimento”, observou Paulo Guerra.
Enquanto o percentual de trabalhadores formais cresceu e o agregado “demais posições” registrou acréscimo de 36 mil vagas, houve redução de 14 mil empregos entre aqueles sem registro em carteira. O setor público perdeu 4 mil ocupações, entre os autônomos a perda foi de 11 mil ocupações e, no setor doméstico, a redução foi de 16 mil vagas no período.
Entre fevereiro de 2010 e fevereiro de 2009 o rendimento médio real dos ocupados diminuiu em Belo Horizonte (0,6%, passando de R$ 1253 para R$ 1.295), no Distrito Federal (1,6%, passando a valer R$ 1.811) e São Paulo (0,6%, R$ 1.309), permaneceu relativamente estável em Salvador (-0,2%, R$ 1.024) e aumentou em Recife (2,9%, R$ 841) e Porto Alegre
(2,7%, R$ 1.267).
O tempo médio de procura por trabalho entre março de 2009 e março de 2010 aumentou de 38 para 39 semanas.
TABELA A - ESTIMATIVAS DO NÚMERO DE PESSOAS DE DEZ ANOS E MAIS, SEGUNDO CONDIÇÃO DE ATIVIDADE, TAXAS DE DESEMPREGO E DE PARTICIPAÇÃO
REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE
MARÇO: 2009 / FEVEREIRO-MARÇO: 2010
|
CONDIÇÃO DE ATIVIDADE |
ESTIMATIVAS (EM MIL PESSOAS) |
VARIAÇÕES |
|||||||
|
ABSOLUTA |
RELATIVA (%) |
||||||||
|
março-09 |
fevereiro-10 |
março-10 |
mar-10/ |
mar-10/ |
mar-10/ |
mar-10/ |
|||
|
fev-10 |
mar-09 |
fev-10 |
mar-09 |
||||||
|
População em idade ativa |
4.159 |
4.214 |
4.219 |
5 |
60 |
0,1 |
1,4 |
||
|
População economicamente ativa |
2.458 |
2.516 |
2.515 |
-1 |
57 |
0,0 |
2,3 |
||
|
Ocupados |
2.207 |
2.272 |
2.258 |
-14 |
51 |
-0,6 |
2,3 |
||
|
Desempregados |
251 |
244 |
257 |
13 |
6 |
5,3 |
2,4 |
||
|
Em desemprego aberto |
204 |
196 |
209 |
13 |
5 |
6,6 |
2,5 |
||
|
Em desemprego oculto pelo trabalho precário |
20 |
25 |
25 |
0 |
5 |
0,0 |
25,0 |
||
|
Em desemprego oculto pelo desalento |
27 |
23 |
23 |
0 |
-4 |
0,0 |
-14,8 |
||
|
Inativos com 10 anos e mais |
1.701 |
1.698 |
1.704 |
6 |
3 |
0,4 |
0,2 |
||
|
Taxas (%) |
|||||||||
|
Desemprego total |
10,2 |
9,7 |
10,2 |
0,5 |
0,0 |
5,2 |
0,0 |
||
|
Participação (PEA/PIA) |
59,1 |
59,7 |
59,6 |
-0,1 |
0,5 |
-0,2 |
0,8 |
||
|
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI), Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED/RMBH). Convênio FJP/Dieese/Seade/Sedese-MG. Nota: Projeções populacionais atualizadas. Ver Notas Metodológicas na página 6. |
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