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Transcrição da entrevista da secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, sobre a mudança para a Cidade Administrativa

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Agência Minas
09/02/10 - 14:29

Local: Seplag

Data: 09-02-10

Assunto: Cidade Administrativa

Em um primeiro instante, como foi definida essa escala de transferência das secretarias e porque a ordem?

A definição foi a primeira vontade do governador que já tivesse no primeiro momento a Secretaria de Planejamento e Gestão e, obviamente, fica muito fácil nós inaugurarmos porque nós que estamos preparando todo o sistema de gestão, toda a mudança, até para que possamos estar testando o modelo e, obviamente, junto à Secretaria de Governo, o Palácio e a Vice-Governadoria porque ele quer ocupar o prédio da Cidade Administrativa o mais rápido possível. Em seguida, pegamos o prédio do Bemge e o prédio do Credireal, no Centro da cidade, onde estão localizadas uma série de secretarias no prédio do Bemge, e o Sistema de Meio Ambiente no prédio do Credireal. O prédio do Credireal temos uma cessão de uso que vai até junho. Então, nos comprometemos a devolver esse prédio para o Bradesco até o meio do ano e também o prédio do Bemge, até um pouco pelo desconforto, que é um prédio que não tem garagem, só tem três ou quatro elevadores. Então para que a gente já propicie um certo conforto maior para as pessoas.

Depois, nós fomos fazendo também de acordo com os sistemas operacionais, porque hoje, com a única exceção que é a Secretaria do Meio Ambiente, as secretarias funcionam totalmente isoladas e distantes fisicamente das fundações e autarquias que estão vinculadas a elas. Então, estamos preparando a mudança por sistemas operacionais. A Secretaria de Planejamento e Gestão tem vinculada a ela o Instituto de Previdência, que se muda em seguida, no final de março. O Sistema de Meio Ambiente vai com o IEF, Feam e Igam. Quando for a Secretaria de Desenvolvimento Econômico vai o Indi. Então, essa preocupação de já distribuir de acordo com os sistemas operacionais para que a gente dê uma lógica mais prática e mais inteligente ao prédio.

Durante essa transição, como vai ser o funcionamento das secretarias, a comunicação entre elas, uma parte já na Cidade Administrativa e outras ainda aqui no Centro?

Vai acontecer como é hoje que estamos distribuído em cerca de 55 prédios, todas as secretarias, fundações e autarquias. Então, no princípio, vai haver alguma movimentação entre a região Central da cidade e o vetor Norte, mas rapidamente vai segregando. A cada mês esperamos que entre 1800 a 2 mil pessoas que irão mudando de forma gradativa.

E já começa agora?

A partir do dia 22 já estaremos com a Secretaria de Planejamento e Secretaria de Governo, o Gabinete Militar, e a partir do dia 1º (março), todo o Sistema do Meio Ambiente e também o Palácio e a Vice-Governadoria.

A obra já está finalizada?

Não, a obra fica totalmente finalizada no final de abril, mas o que vai continuar de obra não impede a convivência. Devemos ter essa convivência de fato, mas isso não vai gerar nenhum tipo de transtorno porque serão nos andares mais superiores do prédio e também algumas outras coisas que são de detalhes mesmo e que não vão incomodar em nada o funcionamento.

Secretária, o servidor vai ter ticket refeição?

Nada muda. Os servidores que já possuem os ticket, continuam tendo. Aqueles que não possuem ficam sem. Então, a política não muda. Algumas secretarias têm essa política, outras não e continuam da mesma forma.

Qual é o valor hoje?

R$ 10.

Com R$ 15 o quilo, a senhora disse que quem come mais ou menos vai dar?

A gente fez uma pesquisa que apontou que eles gastam em torno de R$ 7 e R$ 8 com alimentação. A gente supõe que as pessoas que comem bastante comem em média meio quilo. Então a gente imagina que tem uma margem, com bebida, que vai suficiente para que não haja um gasto maior do que o que é hoje.

Já definiu o preço do estacionamento?

Esse assunto a gente vai tratar amanhã, mas o estacionamento para o servidor custa R$ 0,01 por mês.

O objetivo é amenizar o impacto dessa transferência, dessa mudança para o servidor e serão várias pessoas ajudando. Esse pessoal “Posso Ajudar” vai permanecer depois na Cidade Administrativa para ajudar o público que vai chegar?

Durante um tempo e, aliás, o tempo que for necessário, esse pessoal vai continuar para poder ajudar. Talvez não numa escala de 90 pessoas, 100 pessoas de uma única vez, mas durante todo o processo de mudança teremos receptivo sim, não só para os servidores, mas também para os visitantes para que eles sejam bem encaminhados assim que chegarem à Cidade Administrativa.

E a questão do transporte como fica?

A gente separou esse tema para amanhã. Hoje a gente está tratando do funcionamento e da mudança.

E o Núcleo Gestor? Já tem deputado falando que quer ser o coordenador desse núcleo. Quem é que vai? Qual é o perfil?

Obviamente, quem vai definir isso é o governador. É um cargo em comissão, de recrutamento amplo, quem define esses cargos, eles são de livre nomeação e exoneração do governador, mas obviamente uma pessoa que tenha uma capacidade de tocar todo um complexo desse. Ali será um sistema operacional muito grande, que vai requerer ações imediatas para que tudo seja atendido a tempo, a contento, então, tem que ser uma pessoa que tenha esse perfil de lidar com vários assuntos ao mesmo tempo, que seja ágil, que seja dinâmico, e também um pouco de um perfil operacional porque teremos lá a necessidade de compras que serão feitas de uso comum, a fiscalização dos nossos contratos.

O governador já analisou isso e todos os nossos contratos, com os nossos fornecedores, eles são por indicadores de desempenho, por performance, então temos que ter nesse núcleo gestor aquelas pessoas que vão acompanhar se aqueles serviços estão sendo atendidos naqueles níveis de qualidade que nós estamos pretendendo. Uma outra coisa também que nós faremos o tempo todo pesquisas de avaliação com os próprios servidores com relação à limpeza, com relação à alimentação, com relação ao ambiente, então o núcleo gestor, além das questões operacionais e do funcionamento, vai ter que zelar também por esse conforto para que a gente garanta que toda essa modernidade que a gente está implantando lá, de fato funcione.

A Assembleia Legislativa já permitiu o Governo para alterar o horário. Vocês já pensam em horário corrido?

O horário corrido não é descartado. A lei foi aprovada como uma forma de termos uma ação preventiva. Caso nós percebamos que haja algum desconforto do servidor, transtornos, problemas, aí sim o horário corrido poderá vir a ser uma opção. Por enquanto, para esses dias ainda não tem nenhuma orientação, mas é uma hipótese que não é descartada.

Secretária, a mudança começa agora dia 10. Simultaneamente nas primeiras secretarias?

Ele começa no dia 13 na Secretaria de Planejamento e Gestão. Em seguida, se não me engano, no dia 13 a Secretaria de Governo, e no dia 15 na Secretaria de Planejamento e Gestão, em seguida no Gabinete Militar.

O que não vai para a Cidade Administrativa? O que vai permanecer aqui no centro de Belo Horizonte?

Em relação às unidades administrativas das secretarias, fundações e autarquias, permanecem aqui aquelas que são de atendimento ao cidadão. Então, por exemplo, aqui na Secretaria de Planejamento e Gestão, a perícia médica, ela não será transferida para a Cidade Administrativa porque o público dela não é de servidor em atividade, são os servidores que já estão na inatividade. Então não faz sentido prosseguir pra lá. Todos esses locais, que são atendimento ao público, ao cidadão, eles permanecem na região central de Belo Horizonte.

Somente isso?

Somente.

O sindicato alega que agora todo lanche vai ser pago, que eles não vão ter mais o pão com manteiga e o café. Isso é fato? Como que vai ser a situação? Todo lanche vai ser realmente pago?

Nada muda em relação ao que é hoje. Se alguma secretaria distribui algum tipo de lanche, não há impedimento nenhum para que ela continue distribuindo. Então, não há nenhuma mudança de processo, desse tipo de processo de trabalho. Quem recebe vale alimentação continua recebendo, quem recebe lanche continha recebendo, além disso, em todos os andares, teremos máquinas de café - café gratuito para todo mundo, quem quiser vai conseguir ter um café feito na hora, expresso, muito mais saboroso, certificado. Além disso, as máquinas fornecem outros tipos de bebida, mas aí, realmente elas são pagas. Quem quiser tomar um chá, um capuccino, um chocolate quente, ele tem que pagar. Mas o importante é que não muda nada em relação ao processo, aos privilégios que o servidor já tem hoje.

Eu gostaria que fosse explicada a situação das horas. Aquele esquema em que o sindicato fala existiria a possibilidade de trabalhar 6 horas.

Agora, de imediato, para essa semana, para a próxima semana, ainda não fizemos essa previsão.  Mas, obviamente, vamos começar a perceber os problemas a partir do dia 17, que será o primeiro dia de trabalho. Então, caso os servidores tenham problemas de deslocamento, de tempo, de horário, que seja alguma coisa que cause algum tipo de transtorno, aí mantemos a hipótese, sim, de implantar, durante esse ano de 2010, o horário corrido.

Gostaria que você falasse agora sobre o cronograma de mudança, começa agora e vai até quando a transferência de todos os servidores?

O processo de mudança começa no dia 13 de fevereiro com a mudança da Secretaria de Planejamento e Gestão, da Secretaria de Governo e do Gabinete Militar do Governador. Na semana do dia 22 muda todo o Sistema de Meio Ambiente, Secretaria, com o IEF, Igam e Feam e mais no final de semana do dia 27 e 28 muda o Palácio e a Vice-Governadoria. A partir daí, aí serão 2.800 pessoas já habitando a Cidade Administrativa e a partir daí até outubro nós teremos um processo gradativo de mudança de acordo com um cronograma que já foi distribuído, onde por mês vão mais cerca de 1.800, 2.000 pessoas.

Agora a senhora falou de várias estruturas que vão ser montadas lá, lojas. Isso ainda não é para um primeiro momento?

Não. Nós temos um centro de convivência que vai funcionar como um shopping, a nossa expectativa é que ele seja inaugurado em abril, mas que nós já possamos antecipar o funcionamento de algumas lojas a partir de março, principalmente aquelas que são de alimentação para que os servidores e as pessoas que vão até a Cidade Administrativa tenham mais opções de variedades de refeições.

Vai haver geração de empregos?

Com certeza, porque para você ter uma ideia nós estamos falando de um shopping, onde ele vai ter capacidade para fornecer 8.000 refeições por dia, então com certeza terão que ser contratadas pessoas para estarem ali trabalhando. Como eu disse, nós teremos lá lojas, teremos salão de beleza, teremos serviços de manutenção, de lavanderia, de agências de viagens, então dando até oportunidades a várias outras lojas de comércio abrirem suas filiais no centro de convivência da Cidade.

O Sindicato alega que lá no entorno tem pouca estrutura. Só isso será suficiente ou os servidores vão ficar um pouco refém desse shopping ou dessas lojas?

Olha a nossa expectativa é que em um trabalho que está sendo feito em conjunto entre a prefeitura e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, nós teremos uma dinamização muito rápida do entorno da Cidade Administrativa. Recentemente, o prefeito mesmo me disse que já há uma série de demandas para que se possa construir shoppings, hotéis, restaurantes. Então, eu acredito que é um caminho natural. É mais ou menos como quando foi feita a Pampulha, aqui, em Belo Horizonte. Naquele momento não existia nada naquela região, eu me lembro que quando a Fundação João Pinheiro foi para a Pampulha, parecia que as pessoas que trabalhavam lá estavam indo para outro mundo. Ninguém queria fazer reunião lá, eles que tinham que se deslocar para o Centro da cidade e hoje já está perto, tem várias opções de alimentação, de cursos de inglês, de academia. A nossa expectativa é que o próprio setor de manifeste e começo a se desenvolver no entorno.

Secretária sobre as licitações dessas empresas que estarão na parte de alimentação da Cidade Administrativa.

Nós contratamos, nós fizemos uma licitação onde nós contratamos um gestor de um shopping. O Estado não quer e nem é obrigação do Estado ficar administrando lojas, nem restaurantes. Então como qualquer shopping faz, nós contratamos esse gestor e ele que vai administrar. Todo o contato com os lojistas é com esse gestor e nós simplesmente avaliamos a prestação do serviço e também, em última instância, nós damos o aval nas lojas que estão indo para o centro de convivência.

Isso acontece com os outros setores também, com as outras prestações de serviço?

Não. As outras prestações nós fizemos um contrato direto, como por exemplo, o serviço de fretamento de ônibus, do restaurante self-service e o de buffet também foi uma contratação direta. Só na parte de shopping que, realmente, nós entendemos, realmente, em um assunto que foi debatido com o Ministério Público, que não é obrigação do Estado administrar lojas. Nós temos obrigação de ofertar os serviços para os servidores e as pessoas que ali estiverem e não administrá-los diretamente.

E as desapropriações dos locais já estão todas?

Já estão todas. Nós já temos a licença para ocupação. Está tudo previsto dentro do cronograma, perfeitamente, normal.

A questão do Núcleo Gestor ainda precisa ser aprovada. Nesse primeiro momento como vai ser feito esse atendimento?

Nós mesmo que faremos.

 

 

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