BELO HORIZONTE (28/01/10) - A taxa de desemprego total na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) permaneceu estável em 9,8% da População Economicamente Ativa (PEA) entre novembro e dezembro de 2009, ao mesmo tempo em que o nível de ocupação ao longo do último ano também ficou relativamente estável (-0,2%). Os dados foram apresentados na manhã desta quinta-feira (28), e são parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada mensalmente pela Fundação João Pinheiro, Dieese, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese/MG) e Fundação Seade.
No balanço anual, a População Economicamente Ativa da RMBH apresentou 0,4% de crescimento, com total de desempregados estimado em 258 mil pessoas e de ocupados em 2,245 mil. A RMBH apresentou taxa de desemprego de 10,3%, a menor entre as seis regiões estudadas. O destaque do mercado de trabalho ficou por conta do setor de serviços, que gerou um milhão 271 mil empregos. As outras contratações ocorreram na indústria (308 mil), comércio (325 mil) e construção civil (170 mil).
No setor público houve crescimento de 5,5% em contratações e o setor privado teve redução de 0,9%, com decréscimo de nove mil empregos com carteira assinada e de dois mil sem registro na carteira (1,2%). O trabalho autônomo retraiu em 3,7%, com 16 mil ocupações a menos, enquanto o emprego doméstico teve cinco mil contratações a menos. Já no agregado “demais posições ocupacionais” o aumento foi de 7,5%, com incremento de três mil ocupações.
Ainda de acordo com o boletim anual, a distribuição dos rendimentos do trabalho manteve-se em relativa estabilidade. Os ganhos mais significativos ocorreram nos rendimentos médios, com destaque para a construção civil, que teve um ganho de 8,6% (R$ 1.068), e o setor de serviços domésticos, com aumento de 5,7% (R$ 479). A indústria teve um aumento de 4,8%, com rendimentos estimados em R$ 1.269, o setor de serviços elevou em 5,5% (R$ 1.409) e, no comércio, o aumento foi de 4,4% nos rendimentos médios, correspondendo a R$ 998.
O coordenador da PED pelo Dieese, Mário Rodarte, considera este cenário positivo. “Apesar da crise que impactou o primeiro semestre, o crescimento da renda do trabalhador foi positivo e isto se mantém para o mercado interno e, principalmente, para o ano que começa”, explicou.
Também otimista, o coordenador da PED pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos de Souza, afirma que 2009 foi um ano bastante positivo. “Quando tratamos de rendimentos, com aumentos de 5,8% entre os ocupados, sendo que há uma série de aumentos nos rendimentos desde 2005, acreditamos que essa seja a tendência para o 2010”, observou.
Dezembro
Entre novembro e dezembro de 2009 foram gerados 15 mil empregos na indústria e dois mil no comércio, enquanto a construção civil registrou retração de nove mil postos de trabalho. O setor de serviços perdeu sete mil vagas e o agregado “Outros setores” diminuiu duas mil vagas. “Em dezembro a indústria voltou a se destacar, o que comprova que, apesar de contar com um balanço que denota retração no número de vagas em 2009, esse setor inicia uma trajetória de recuperação que tende a se estender para 2010”, explicou Souza.
Neste mesmo período, houve redução de três mil ocupações no setor privado, duas mil entre aqueles sem registro em carteira, quatro mil entre os autônomos e diminuição de mil postos no emprego doméstico. Em movimentação contrária, o setor público apresentou acréscimo de quatro mil empregos e, no agregado “demais posições”, houve crescimento de três mil ocupações.
O rendimento real médio dos ocupados foi estimado em R$ 1.263 em novembro de 2009, com crescimento de 1,4% em relação ao mês anterior, enquanto o salário real médio aumentou em 1,1% se comparado a outubro. O rendimento dos autônomos diminuiu 0,6%, sendo estimado em R$ 1.057 e, no setor privado, a retração foi de 0,5% no salário médio da indústria e de 0,9% no setor de serviços. No comércio, foi registrado aumento de 3,3%.
Comparando os meses de dezembro de 2009 e 2008, observa-se estabilidade no nível ocupacional. No período, o setor de serviços gerou 68 mil postos de trabalho e a construção civil, 12 mil. Em contrapartida, houve retração de 39 mil vagas na indústria, 27 mil no comércio e 11 mil no agregado “Outros setores”.
No setor privado houve acréscimo de oito mil empregos com carteira assinada e cinco mil sem carteira assinada. No setor público houve crescimento de 18 mil empregos e nas “demais posições” aumento de 14 mil ocupações. O emprego doméstico apresentou perda de nove mil postos e, entre os autônomos, a retração foi de 33 mil ocupações. No período, o tempo médio de procura por trabalho aumentou de 45 para 46 semanas.
Perspectivas para 2010
Para 2010 as projeções apontam para um cenário de crescimento a partir do segundo semestre, com recuperação acentuada da economia e perspectiva de crescimento da ocupação com consequente queda da taxa de desemprego. “Espera-se o desenvolvimento de setores-chave como a indústria, que vem superando a crise, a construção civil, que atravessa um momento de crescimento das contratações, e o setor de serviços, um dos que mais gera postos de trabalho”, afirmou Souza.
A expectativa da equipe da PED é que os números da pesquisa para o próximo semestre sejam positivos. “A crise econômica está sendo superada de forma gradual e é necessário um tempo de adaptação para que os reflexos dessa recuperação possam ser sentidos de forma mais efetiva no mercado de trabalho”, concluiu Souza.







