Estado de Minas – Economia
17/12/2009
Dados da Fundação João Pinheiro (FJP) mostram que PIB do estado encolheu mais de 4% no terceiro trimestre, puxado pela queda das exportações e de produtos agropecuários
Marta Vieira
O Produto Interno Bruto (PIB) mineiro encolheu 4,6% no terceiro trimestre deste ano, frente a idêntico período de 2008, sacrificado em maior intensidade que o do Brasil pelos efeitos da crise financeira mundial, que derrubou as exportações de produtos agrícolas e industriais. O PIB (a soma da produção de bens e serviços) brasileiro teve queda de 1,2% na mesma base de comparação, resultado também debitado ao impacto da escassez do crédito no mundo. Em Minas, o resultado foi pior, conforme relatório divulgado ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP), em decorrência do peso maior do setor industrial, o mais afetado pela crise que eclodiu em setembro do ano passado, e da forte participação de indústrias de mineração e siderurgia, prejudicadas com a redução das compras de matérias-primas e dos preços no exterior e no mercado interno.
A retração da economia mineira já era esperada pela indústria, que amargou queda de 12,5% nos meses analisados, segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Andrade. Os sinais de recuperação do setor são recentes e, além da diminuição da demanda pelos produtos, as empresas enfrentam dificuldade adicional no real valorizado em relação ao dólar, que faz minguar a rentabilidade das exportações. “A taxa cambial está acabando com a nossa força de exportações, tanto na indústria quanto na agropecuária. Essa diferença entre as moedas tem de ser compensada com a desoneração das vendas externas e a possibilidade de as empresas usarem efetivamente o crédito do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) na compara de insumos quando vão exportar”, afirma o empresário.
O desempenho negativo da indústria foi influenciado pela retração de 25,4%, no terceiro trimestre do ano, da extração de minerais no estado. Toda a indústria de transformação sofreu com uma queda de 14,9%, performance que revela a grande dependência das exportações, observa o pesquisador Pedro Henrique da Silva Castro, coordenador de contas regionais da FJP. Os números mostram, no entanto, alguma reação das fábricas, já que a queda perdeu fôlego quando comparada às reduções de 14,9% no segundo trimestre e 17,5% de janeiro a março deste ano.
O comportamento da agropecuária se agravou, com retração de 10,7% no terceiro trimestre, ante a forte depressão de 16,6% da safra do café. As lavouras passaram pelo ciclo de redução em 2009, fenômeno típico da cultura, que cumpre períodos seguidos de alta e baixa produtividade. Diminuíram, ainda, as colheitas de algodão, arroz em casca, amendoim e milho. A estatística dá as dimensões das perdas do agronegócio pela combinação de preços em queda no mercado internacional, redução da demanda por alimentos e o câmbio valorizado no Brasil, resume Affonso Damasio, superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg).
“Torcemos por um pouco de valorização do dólar, para amenizar a situação no campo. Se a cotação da moeda americana voltar pelo menos a R$ 2, temos chance de melhora”, afirma Damasio. Só o setor de prestação de serviços, incluído o comércio, apresentou crescimento em Minas entre julho e setembro, conforme o levantamento dos dados do PIB estadual, com aumento de 2,1%. Na avaliação do presidente da Fiemg, Robson Andrade, nos últimos três meses, algumas indústrias voltaram a trabalhar com até 80% de sua capacidade de produção, indicativo de recuperação do setor. Mantida essa retomada, o setor tem condições de crescer 5% a 6% no ano que vem.
BETIM ACELERA
O dinamismo da indústria automotiva fez de Betim, na Grande Belo Horizonte, o destaque especial de Minas Gerais entre os municípios brasileiros, à exceção de São Paulo, que melhoraram a sua participação no PIB do Brasil entre 1999 e 2007, conforme estudo sobre os PIBs municipais divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade, que é pólo automotivo, foi a terceira que mais aumentou seu peso no indicador nacional, sem contar os municípios paulistas. A participação de Betim saiu de 0,79% em 2006 para 0,81% em 2007, com um PIB de R$ 21,5 bilhões.



