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Cidades no interior de Minas se destacam nas exportações

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Estado de Minas
23/11/2009

Alguns municípios tiveram crescimento de até 75.000% nos embarques

Marta Vieira - Estado de Minas

Taxas invejáveis de crescimento das exportações este ano levaram pequenos municípios do interior de Minas Gerais a assumir papel de destaque no mapa do comércio do estado com o exterior. As 10 cidades que mais aumentaram as vendas externas deixaram engolindo poeira as tradicionais exportadoras, ainda sob o efeito da escassez do crédito no mercado internacional que desaguou na crise financeira.

Ganharam projeção, de janeiro a setembro, Rio Acima e Caeté, na Grande Belo Horizonte, Viçosa e São Miguel do Anta, na Zona da Mata, Campo Florido e Itapagipe, no Triângulo; Pavão, no Vale do Jequitinhonha; Buritis, no Noroeste, e Congonhal e Ibiraci, no Sul. As vedetes – Itabira, Ouro Preto, Betim, Varginha e Araxá – viram cair os seus embarques nos portos, embora tenham permanecido na liderança em volumes exportados e receita.

Esse contraste nas exportações mineiras chama atenção para o potencial dos municípios menores, com uma participação que não chegou a representar 1% das vendas externas do estado, de US$ 14,1 bilhões nos primeiros nove meses do ano. O grupo das cidades que mais cresceram no comércio exterior faturou US$ 94,5 milhões de janeiro a setembro, ante a receita de US$ 6,2 bilhões obtida pelas cinco maiores cidades exportadores de Minas, responsáveis por 44% do total negociado pelo estado, mas todas elas enfrentaram queda nas vendas frente aos mesmos meses de 2008.

O levantamento dos dados foi feito pela pesquisadora Elisa Maria Pinto da Rocha, da Fundação João Pinheiro, que observou no grupo dos 10 melhores desempenhos taxas robustas de crescimento das exportações entre 200% e quase 75.000%, na comparação com o mesmo período de 2008. Nessa performance surpreendente, a maioria é de pequenas cidades que têm suas vendas ancoradas em um único produto, explorado por uma ou no máximo duas grandes empresas, o que não diminui o mérito do resultado.

“Os números mostram um dinamismo significativo desses municípios, indicando que eles ganharam experiência capaz de abrir caminho para outros produtos no mercado internacional. Eles merecem atenção”, afirma Elisa Rocha. A diversidade de destinos também surpreendeu. Manganês extraído em Congonhal e granito retirado em Pavão foram embarcados para a China. Ouro em barra saiu de Rio Acima em direção à Suíça e ao Reino Unido, enquanto soja produzida em Buritis foi destinada à China e à Espanha. O café de Ibiraci seguiu para a Itália, e máquinas de Caeté foram vendidas no Canadá e na China. São Miguel do Anta, por sua vez, exportou plantas medicinais para a França e a Índia, e Viçosa embarcou revestimento de fibra de coco, produtos de origem animal e livros impressos para Equador, Canadá e Argentina.

Com seus 10,2 mil habitantes, Congonhal se beneficia da mineração desde o ano passado, investimento importante para a economia da cidade, sustentada por pequenas indústrias de material de construção e confecções. Outra fonte de sustento de famílias está nas lavouras de milho, batata, mandioca e arroz. O prefeito Rubens Vilela dos Santos Júnior diz que o desafio é conciliar o desenvolvimento esperado com a exploração mineral e a preservação do meio ambiente. Há 17 empresas trabalhando em pesquisas minerais no município. “Podemos ter uma opção importante de emprego e renda na cidade, desde que a exploração seja benfeita”, afirma.

Os investimentos na mineração em Minas, principalmente voltados para a exportação, têm se espalhado por diversas regiões do estado, promovendo desconcentração da riqueza, até então muito concentrada no quadrilátero ferrífero, província mineral da Região Central mineira, observa Antônio Eduardo Martins, prefeito de Santa Bárbara e presidente da Associação Mineira de Municípios Mineradores (Ammig).

“Com a mineração organizada e legalizada, melhora a arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e a receita do ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) também cresce. São gerados recursos para que a cidade se desenvolva e diversifique a economia, elevando todo o padrão de qualidade de vida”, afirma. Os royalties da extração mineral em Pavão, no Vale do Jequitinhonha, saltaram de R$ 11.530 de janeiro a setembro de 2008 para R$ 20.755 no mesmo período deste ano. Pequenos municípios têm cada vez mais procurado a Ammig para se filiarem, sinal de que a atividade tem se pulverizado.

Rochas ornamentais como o granito de Pavão geram emprego e renda em uma série de municípios de diferentes regiões de Minas, a exemplo de Ouro Preto, Conselheiro Lafaiete, Papagaios, Paraopeba, Medina, Pompéu, São Tomé das Letras e Três Corações. O potencial de exploração é grande, segundo José Balbino Maia de Figueiredo, presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos (Sinrochas). “As empresas têm condições de crescer, mas dependem basicamente do câmbio e do custo Brasil, questões que deveriam ser consideradas numa política brasileira de exportações”, reclama. Minas produz mais de 60% dos granitos exportados no Brasil, mas as operações são contabilizadas em sua maioria pelo Espírito Santo.

 

 

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