Agência Minas
18/11/2009
BELO HORIZONTE (18/11/09) - A representação da população negra e parda na População em Idade Ativa (PIA) na Região Metropolitana de Belo Horizonte diminuiu de 58,9% para 57,4% entre 2004 e 2008. No mesmo período, houve elevação de 78,7% para 89,0% na proporção de ocupados em relação à sua População Economicamente Ativa (PEA) e, na parcela de desempregados negros, houve decréscimo de 21,3% para 11,0%. As informações são parte de um estudo desenvolvido no âmbito da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMBH), realizada mensalmente em parceria pela Fundação João Pinheiro (FJP), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Fundação Seade-SP, e foram divulgadas em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (18).
Realizado pelo Sistema PED desde 1998, o estudo apontou para o aumento da participação de negros empregados no setor da indústria e construção civil, enquanto verificou redução no setor de serviços domésticos, fato que refletiu o aumento da proporção da contratação com carteira assinada. “A situação geral é de melhora nas taxas para negros e não-negros. Com isso, diminuiu entre negros o percentual de pessoas que estão à margem dos direitos trabalhistas”, explicou o coordenador da PED pelo Dieese e FJP, Mário Rodarte.
Mesmo assim, a pesquisa verificou que algumas diferenças relacionadas às formas de inserção segundo níveis de qualificação e tipos de tarefas a eles associados foram acentuadas no período. Houve, por exemplo, diminuição na participação de negros e pardos em postos de direção, gerência e planejamento. “O percentual de negros ocupados nos segmentos de direção, gerência e planejamento caiu de 8,6% em 2004 para 7,4 em 2008”, observou Rodarte.
Além disso, entre 2004 e 2008, houve crescimento do rendimento médio real dos negros e pardos (15,7%). O número foi aproximadamente a metade da majoração de rendimentos dos não-negros (29,5%), o que acentuou significativamente a grande diferença existente entre os rendimentos de não-negros e negros. No período estudado, o rendimento dos negros passou de 63,9% do valor dos não-negros, em 2004, para 57,1%, em 2008.
Desemprego
A taxa de desemprego total dos negros foi superior à dos não-negros e ambas diminuíram no período analisado. Esse decréscimo foi mais intenso entre os negros, fazendo com que a diferença de suas respectivas taxas se reduzisse de 4,8% para 2,8%. As mulheres negras, em especial, detêm os resultados mais desfavoráveis, pois sua taxa de desemprego total era a mais elevada (14,4%, em 2008), enquanto a das não-negras correspondia a 10,4%. “A mulher negra sofre discriminação duas vezes: por raça e gênero. Esse estudo mostrou, porém, que, além da taxa de desemprego ter diminuído no período, houve elevação na qualidade dos empregos conseguidos por essas mulheres”, afirmou o subsecretário de Trabalho, Emprego e Renda da Sedese, Fernando Sette.
Tempo de procura
Apesar da diminuição do tempo médio despendido na procura de trabalho para negros e não-negros, no período analisado, não se alterou o fato de que os desempregados negros passam menos tempo nessa busca: 45 semanas em média, em 2008, contra 46 semanas para os não-negros. Isto pode ser explicado pelo tipo diferenciado de inserção ocupacional, no caso dos negros, mais frágil e, muitas vezes, relacionada à menor qualificação profissional. “Um dos principais indicadores do mercado de trabalho é o tempo de procura e esse tempo diminuiu tanto para os negros, quanto para os não-negros”, concluiu Mário Rodarte.



