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Indústria de alimentos pode fechar o ano com investimentos de R$ 13 bi

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Estado de Minas
01/10/2009

Marta Vieira - Estado de Minas
Paola Carvalho - Estado de Minas0

Depois de nove meses desempregada, Margarete Pereira dos Santos, 37 anos, começou a trabalhar quarta-feira como cozinheira de um restaurante de Belo Horizonte. “Nos últimos dias, tive fé, corri atrás e vi que a crise não era tão feia assim”, disse. O chefe e dono do estabelecimento, Cláudio Amaral, explica que a turbulência econômica não chegou ao setor e, por isso, vai aproveitar as oportunidades para inaugurar nova unidade este mês na capital mineira. Mas são os fornecedores que comemoram. “Vamos dobrar nossos pedidos. Hoje, faço encomendas mensais de 200 quilos de arroz, 240 quilos de filé e 20 caixas de óleo para atender cerca de 250 clientes por almoço”, exemplifica. Os restaurantes, padarias e supermercados estão na ponta da cadeia de uma indústria que sustenta o crescimento econômico do país – a de alimentos.

Com receitas mais gordas, estimuladas pela participação maior dos consumidores de baixo poder aquisitivo, antes marginalizados no mercado, e a oferta do crédito, o setor está a um passo do paraíso (outubro) para entrar nos dois melhores meses de vendas (novembro e dezembro) e confirmar um aumento de 8% do faturamento estimado para 2009, descontada a inflação. O cálculo, feito pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) sobre uma receita de R$ 269 bilhões obtida no ano passado, é reforçado por bons indicadores de produção, vendas e emprego, além do resultado de investimentos que, embora afetados pela crise financeira mundial, não pararam. O setor deve encerrar o ano com investimentos de R$ 13 bilhões, segundo projeções iniciais da entidade. “Como se trata de uma indústria muito competitiva, é preciso uma política de investimentos que se mantenha, independentemente de turbulências na economia”, afirma Dênis Ribeiro, diretor da Abia.

Cifras

São 37 mil unidades fabris do setor no Brasil, respondendo por 1,35 milhão de empregos, conforme estatística do ano passado. Em Minas Gerais, estão cerca de 10% das fábricas (4 mil) e da força de trabalho (138 mil pessoas). As cifras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos dos fabricantes de alimentos e bebidas confirmam a expansão. Alcançaram R$ 3,6 bilhões de janeiro a julho, 9% do total das liberações para a indústria. Em Minas, o banco destinou R$ 267,4 milhões ao setor nesse mesmo período, distribuídos em 472 operações, sendo 112 a mais na comparação com os sete meses de 2008.

“Bens alimentícios têm uma demanda forte mesmo com a crise, por ser de necessidade essencial. Por essa razão, é um dos poucos setores que não sofreram uma retração acentuada este ano”, afirma a pesquisadora da Fundação João Pinheiro (FJP) Maria Helena Magnavaca. No primeiro semestre do ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais caiu 21,4%, a indústria de alimentos avançou 6,4%. O setor representa, em Minas, 12,8% do PIB da indústria da transformação, descontados os impostos, conforme a entidade. A economista destaca que é a segunda participação de maior peso, atrás apenas da cadeia do aço (28%).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a retomada da produção é evidente em Minas desde maio, quando o ritmo de trabalho no setor cresceu 2,5% ante idêntico mês do ano passado. Taxas positivas também foram observadas em junho e julho, de 8,4% e 6,6%, respectivamente. Isabela Nunes, economista da entidade, destaca que essa boa performance reflete o peso importante da agroindústria na produção mineira e o destino concentrado ao mercado interno, que sofreu menos, em comparação às exportações.

Reação

A auxiliar de produção Débora de Souza Fernandes, de 31 anos, se beneficiou do crescimento do setor. Depois de três anos em serviço numa indústria metalúrgica, pediu as contas para cuidar do filho e decidiu voltar a trabalhar fora de casa oito meses mais tarde. Não se passaram mais de 60 dias de procura pelo novo emprego. Em abril, ela encontrou a chance na primeira unidade de fabricação de macarrão instantâneo em Minas, aberta pela Vilma Alimentos. “Foi surpreendente. Enviei o currículo e na mesma semana me chamaram. Quero me aperfeiçoar no trabalho e crescer na empresa”, afirma.

O exemplo da auxiliar de produção, contudo, é ainda tímido no contexto de reação da indústria de alimentos à crise. Conforme levantamento mais recente do IBGE, o emprego no setor interrompeu em julho nove meses de queda, algo positivo. Na comparação com julho de 2008, o nível do emprego nas fábricas ainda ficou negativo em 1,2% no país e em 5,9% em Minas – taxa, porém, bem inferior à média. “A decisão das empresas de demitir tem relação com a quebra de expectativas futuras. A produção, em geral, melhora antes de haver reação no emprego”, afirma Isabela.

 

 

 

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