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Ciranda do desemprego atinge 55 mil na Grande BH

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Estado de Minas
01/10/2009

Marta Vieira

A recuperação da economia ainda é insuficiente para reverter a dura batalha por um emprego travada pelos trabalhadores sem experiência na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vítimas de uma perversa ciranda: sem comprovar trabalhos anteriores, não conseguem a vaga e, por isso mesmo, não adquirem a prática profissional tão exigida pelas empresas. Eles somaram, em agosto, 55 mil pessoas na Grande BH, um contingente de 20% do total de desempregados estimado em 274 mil, conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego, divulgada pela Fundação João Pinheiro, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. Desde dezembro, a taxa de desemprego para esse grupo sem experiência subiu 15,8%, como reflexo dos efeitos da crise financeira mundial, passando de 1,9% no fim do ano passado para os atuais 2,2%.

A taxa média no entorno da capital mineira ficou estável em 10,9%, em agosto, a menor entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese (além de BH, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador). O desemprego para quem não tem experiência, um problema generalizado entre os jovens, só não cresceu mais rápido porque esses trabalhadores são forçados a fazer bicos para se manter ou deixam o mercado de trabalho, portanto saindo das estatísticas, quando a família pode bancar a sobrevivência deles, observa o economista Mário Rodarte, coordenador da pesquisa pelo Dieese. “A maior parte dos trabalhados oferecidos a quem não tem experiência é de serviços braçais, de esforço repetitivo, com jornadas longas e que, muitas vezes, inviabizam a formação escolar desses trabalhadores”, afirma.

Outra dificuldade é que, com frequência, são oportunidades sem assinatura da carteira de trabalho, o que impede o trabalhador de comprovar aquela experiência mais tarde. É a situação que Jéssica Moreira dos Santos, de 18 anos, enfrenta desde janeiro à procura de uma ocupação em Belo Horizonte. A primeira chance que ela conquistou no mercado de trabalho foi um estágio na área de atendimento ao público durante 12 meses, mas sem registro. Agora, é barrada, justamente por falta da comprovação de uma prática profissional, apesar de oferecer aos empregadores dois atributos, a idade e o ensino médio concluído. Sem trabalho, Jéssica não tem condições de pagar o pré-vestibular.

“Se eu não consigo a oportunidade de trabalhar, como vou alcançar a experiência pedida? O governo deveria incentivar as empresas a contratar os jovens”, desabafa Jéssica, que já se candidatou à vagas de operadora de telemarketing, vendedora e atendente. O secretário de estado de Desenvolvimento Social, Agostinho Patrús Filho, afirmou, quarta-feira, que a inserção dos jovens no mercado de trabalho é a principal preocupação do governo, que tem mantido programas de qualificação específicos para esse público. A política adotada para todas as regiões de Minas é oferecer cursos gratuitos de preparação de trabalhadores desempregados que poderão aumentar as chances de encontrar trabalho, embora eles não tenham experiência ou não possam comprová-la.

Nos primeiros oito meses deste ano, 7,5 mil pessoas fizeram cursos de qualificação profissional e até o fim do ano outras 7 mil vagas serão abertas em novos programas. O governo deverá gastar R$ 10 milhões com a iniciativa neste ano. A formação profissional pode dar um bom apoio aos trabalhadores sem experiência, segundo Edmar Alcântara, gerente de Educação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MG). “Sem dúvida, a preferência da indústria ao definir o preenchimento de uma vaga será pela qualificação dos candidatos. Dependendo da atividade, a qualificação é algo mais sério do que a própria experiência anterior”, diz. Um dos exemplos é a área de energia, que envolve situações de risco e perda de equipamentos. O Senai-MG deverá lançar nesta quinta-feira o edital para abertura de 12 mil vagas para cursos técnicos e de aprendizagem industrial em Minas.

Ainda de acordo com a pesquisa sobre o comportamento do mercado de trabalho na Grande BH em agosto, 20 mil vagas foram criadas, mas idêntico universo de pessoas a mais procuraram emprego no período, o que anulou a possibilidade de queda da taxa do desemprego. O destaque na ampliação de postos de trabalho foi observado na construção civil, com 13 mil novas colocações.

 

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