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Indústria retoma contratação

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Hoje em Dia – Economia
27/08/2009
 
Janaína Oliveira
Repórter*


Pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego em junho na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) manteve-se em 11%. Apesar da estabilidade, a indústria, após uma sequência de cortes em decorrência da crise econômica mundial, deu sinais de recuperação. O setor levou de volta aos parques industriais 4 mil trabalhadores, o que significa um incremento de 1,3% em relação a junho de 2009. A construção civil também colaborou positivamente para o desempenho, com a abertura de 7 mil vagas nos canteiros de obras. Por outro lado, comércio e serviços eliminaram 13 mil e 4 mil postos, respectivamente. Ainda assim, quem permaneceu no emprego viu sua renda média subir a R$ 1.205, montante que, pela primeira vez na série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), é maior que a média nacional: R$ 1.202.

“A melhor notícia é que a indústria, onde ocorreu a maior queda no emprego nos últimos meses, começa a se recuperar. Além disso, a renda não vem sendo afetada, pelo contrário, o que é excelente em uma época de turbulência”, disse Mário Rodarte, coordenador da PED pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), órgão responsável pelo levantamento, em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). De junho a julho, o total de empregados na indústria saltou de 320 mil para 324 mil. Em julho de 2008, porém, quando a economia vivia seus tempos áureos e a crise ainda era uma realidade distante, o contingente chegava a 367 mil. O segmento que mais impulsionou as contratações foi têxtil e vestuário, com ampliação de 12,5% nas vagas.

“De fato, sentimos uma recuperação no ritmo industrial como um todo, após um mês de junho muito fraco. Pessoas que foram cortadas em novembro e dezembro passaram a ser recontratadas, ainda que de maneira difusa”, afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis e Malhas do Estado de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe. A preocupação, segundo ele, agora passa a ser com o câmbio. “O dólar mais baixo nos deixa apreensivos, uma vez que facilita as importações”, pontuou.

A construção civil também foi destaque. “O nível de ocupação atingiu o melhor patamar para um mês de julho em toda a série histórica. Foi recorde mesmo na comparação com 2008, um ano de aquecimento expressivo”, destacou o secretário de Desenvolvimento Social, Agostinho Patrús Filho. Mais de 170 mil trabalhadores entraram no segundo semestre de 2009 dando expediente como engenheiros, pedreiros, marceneiros e mestres de obras. O fato de o mês de julho coincidir com as férias também colaborou para o resultado final da taxa de desemprego, uma vez que 7 mil pessoas saíram do mercado do trabalho, ou seja, deixaram de procurar por uma colocação no período. Já o trabalhador que foi à caça de uma vaga deparou-se com um aumento no tempo de procura, que subiu de 43 para 45 semanas entre junho e julho.

As férias escolares também podem ser a explicação para a retração no comércio e no setor de serviços, que ainda padeceu com o medo da nova gripe. “Como vem após o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, o mês de julho é naturalmente meio morno para os comerciantes. Neste ano, com a gripe suína rondando, as pessoas deixaram de fazer programas de entretenimento, como ir ao shopping, frequentar cinema ou assistir shows, prejudicando os negócios”, avaliou o coordenador da pesquisa pela FJP, Plínio de Souza Campos.

Na análise das seis regiões metropolitanas, Belo Horizonte, com 11%, manteve-se com a menor taxa entre as demais. Na média, o índice ficou em 15%, um ligeiro aumento em relação ao mês de junho, quando estava em 14,8%. O contingente de desempregados aumentou em 45 mil pessoas na soma de todas as capitais e entornos, chegando a 3,029 milhões.

O desemprego caiu no Distrito Federal, Recife e Salvador, não apresentou variação em Belo Horizonte e Porto Alegre, e subiu apenas em São Paulo. O nível de ocupação apresentou variação negativa de 0,1% em julho, o que resultou no fechamento de 9 mil ocupações. Em termos setoriais, o desempenho foi puxado pelo setor de serviços, que demitiu 77 mil pessoas no mês. Já o comércio criou 32 mil vagas - ao contrário da RMBH -, a indústria abriu 13 mil postos de trabalho, a construção civil criou 11 mil vagas e o agregado “outros setores” teve criação de 12 mil empregos.

Para o comércio, julho foi o terceiro mês consecutivo de criação de postos de trabalho na média Brasil. Na indústria, foi o primeiro mês positivo após sete meses consecutivos de corte de vagas. O rendimento médio real dos ocupados variou 0,1% em junho ante maio e -0,2% ante junho de 2008, para R$ 1.202,00. A massa de rendimento dos ocupados também subiu: 0,5% ante maio e 1,2% ante junho de 2008.

Para facilitar a vida do trabalhador, sete postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Belo Horizonte começaram ontem a fazer o agendamento para os interessados em tirar a carteira de trabalho. O serviço pode ser feito por telefone ou Internet (www.sine.mg.gov.br). O atendimento aos trabalhadores agendados terá início na próxima segunda-feira. A previsão é que 120 carteiras sejam emitidas por dia. Serviços geram 2,3 milhões de vagas.

O setor de serviços não-financeiros agregou 2,3 milhões de novos trabalhadores entre 2003 e 2007, segundo levantamento incluído na Pesquisa Anual de Serviços, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, eram 8,7 milhões de pessoas empregadas em pouco mais de 1 milhão de empresas deste segmento, que recebiam, em média, 2,5 salários mínimos. A maior parte dos empregados do setor estava nos serviços de limpeza, que tinham 1,475 milhão de pessoas ocupadas em 2007, o equivalente a 16,9% do total. Em 2003, eram 983 mil empregados. Esses trabalhadores recebiam, em média, 1,7 salário mínimo em 2007.
O transporte rodoviário empregava 1,255 milhão de trabalhadores em 2007, o correspondente a 14,4% do total. Em 2003, eram 944 mil empregados neste segmento. Por outro lado, tinha, em 2007, o salário médio mais baixo do setor de serviços, de 1,4 salário mínimo.

Os serviços de alimentação ocuparam 1,204 milhão de empregados em 2007, o correspondente a 13,8% do total. O segmento perdeu a vice-liderança no total de pessoal empregado para os serviços de transporte rodoviário. Em 2003, eram 948 mil pessoas ocupadas em serviços de alimentação.A maior remuneração média foi observada no segmento de transporte aquaviário, com 9 salários mínimos em 2007. Logo em seguida, vêm os serviços de telecomunicações, com 8,7 salários mínimos. Acima do segmento de alimentação, que pagava 1,4 salário mínimo em 2007, os serviços de manutenção e reparo de objetos pessoais (1,4) e de veículos (1,5 ) eram os piores pagadores.Minas Gerais, com 855 mil empregados, tinha o equivalente a 9,8% do total de pessoal ocupado em 2007. O dado também revela perda em relação a 2003, quando eram 657 mil trabalhadores, que representavam 10,3% do total.Em termos salariais, São Paulo lidera, com pagamento médio de 2 salários mínimos em 2007. (*)Com agências

 

 

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