Marta Vieira - Estado de Minas
O dinamismo do setor de prestação de serviços e a construção civil aquecida em Belo Horizonte levaram a cidade à quarta posição no ranking das capitais brasileiras mais desenvolvidas do país, de acordo com o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM). Em sua segunda edição, o indicador, lançado ano passado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, analisou o desempenho de 5.565 municípios nos critérios emprego e renda, educação e saúde. Os dados se referem a 2006, portanto, não captaram os efeitos da crise financeira mundial. No entanto, uma série de levantamentos recentes do mercado de trabalho tem mostrado que a capital mineira sofreu impacto ameno em relação a outras grandes cidades muito dependentes da atividade industrial, a mais afetada pela turbulência na economia.
BH saiu do oitavo lugar entre as melhores capitais analisadas em 2005, representando uma elevação de 4,6%, ao alcançar pontuação de 0,8417 em 2006. O IFDM varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o nível de desenvolvimento. Nas extremidades, estão entre zero e 0,4 as localidades de baixo grau de desenvolvimento e entre 0,8 e um, as de alto desenvolvimento. O ranking nacional foi liderado por Vitória, seguida de São Paulo e Curitiba.
O salto da capital mineira foi bem superior à média nacional de 3,5% de um ano para outro, impulsionado pela geração de empregos, informa Patrick Carvalho, chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan. O índice de emprego e renda de BH cresceu nada menos que 15,6% entre 2005 e 2006. Analisado em separado, esse critério manteve a capital mineira no 28º lugar no país. “Foi um período de controle da inflação e em que uma série de indicadores demonstraram a envergadura do crescimento da economia brasileira”, afirma Patrick Carvalho.
Apesar do bom desempenho, BH ficou na última posição da lista dos 100 municípios do país mais desenvolvidos no índice geral, pontuada por cidades com menos de 300 mil habitantes. A capital mineira perdeu pontos na educação, critério em que a cidade amargou retrocesso de 2,2% entre 2005 e 2006 e na saúde, com ligeiro acréscimo de 0,6% no período comparado.
A boa performance do emprego e da renda em BH reflete um ciclo de expansão iniciado em 2006 e que se prolongou pelo menos até o estouro da crise financeira mundial. O impulso foi dado pela geração de postos de trabalho nas empresas prestadoras de serviços, na construção civil e com menor intensidade na indústria, conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.
Não foi por outra razão que a taxa de desemprego na capital mineira caiu de forma acentuada, observa o economista Plínio de Campos Souza, coordenador da pesquisa pela FJP. Considerando-se os indicadores apurados em junho dos últimos cinco anos, o desemprego desceu de 16,5% em 2005 para 12,9% em 2006, 10,6% em 2007 e 8,5% no ano passado. Depois da crise financeira, a desocupação voltou a aumentar e a taxa de junho deste ano retornou a 9,3% em BH.
Quando analisadas as taxas de desemprego nas regiões metropolitanas, no entanto, a de BH (11%) foi a mais baixa entre as pesquisadas pelo Dieese (São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Brasília e Recife). “Esse resultado é reflexo do processo de desenvolvimento que a capital viveu nos últimos três anos, embora ela tenha sido talvez mais afetada, agora, pela crise em função do seu entorno muito ligado à produção da indústria”, afirma Plínio Souza.
Dias melhores
Belo Horizonte, Itabira e Ouro Branco entraram para o grupo dos 100 municípios mais desenvolvidos do país, do qual só Nova Lima, em todo o estado, participava em 2005
No indicador de emprego e renda, BH alcançou o 28º lugar no ranking nacional. Entre as captais, BH foi uma das que mais elevaram a sua participação, da oitava posição em 2005 para o quarto lugar em 2006
Minas Gerais se manteve como o quinto estado em grau de desenvolvimento, com participação que cresceu o dobro da de São Paulo. No indicador de emprego e renda, Minas teve destaque na terceira colocação, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro, os três com alto grau de desenvolvimento por essa medida
Na educação, Minas ficou em 5º lugar e na saúde, na 11ª posição. O município de Cachoeira da Prata, na Região Central de Minas, foi o município com melhor desempenho na educação em todo o estado
A cidade de Santa Juliana, no Alto Paranaíba, mostrou a melhor performance no indicador de desenvolvimento relativo à saúde



