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Produção industrial no Estado apresenta alta em junho

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Agência Minas

18/08/2009

 

BELO HORIZONTE (18/08/09) - Dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física, analisada pela Fundação João Pinheiro (FJP), apontam que a produção da indústria mineira apresentou alta de 3,3% em junho de 2009, na comparação com o mês anterior. Este é o sexto resultado positivo consecutivo da indústria do Estado após a forte retração na produção observada no final de 2008. Da mesma forma, a indústria brasileira se recupera gradualmente: em junho houve crescimento de 0,2% na produção física industrial, o que também representa a sexta alta consecutiva.

Entre os estados abrangidos pela Pesquisa Industrial Mensal-Produção Física (PIM-PF), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que serve de base para o estudo da FJP, Minas é o estado que acumulou maior crescimento na produção física industrial a partir de dezembro de 2008, com taxa de 18,9% na série com ajuste sazonal.

Comparando o primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado, registra-se uma queda de 21,4%, mas comparando o nível de produção em junho de 2009 com o de dezembro de 2008, a produção industrial no estado cresceu 18,9%. “Não há contradição nestes números, eles refletem a forte queda entre outubro e dezembro do ano passado, após a crise, e uma recuperação relativamente rápida que vem sendo observada no estado”, observou o pesquisador Pedro Henrique da Silva Castro, do Centro de Estatística e Informações (CEI) da FJP.

Comparando o desempenho da indústria geral no Brasil, em Minas Gerais e nas demais unidades da Federação, Minas foi o quarto maior entre os estados abordados pela pesquisa, registrando no mês de junho crescimento de 3,3% em relação ao mês de maio, ficando atrás somente do Pará (10,2%), Goiás (7,4%) e Bahia (7,2%).

No primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda da produção industrial foi de 21,4% em Minas Gerais. Todos os estados apresentaram resultados negativos neste parâmetro de comparação e, no Brasil, a queda foi de 13,4%. Goiás (4,6%) e Paraná (5,9%) foram os estados que apresentaram as menores retrações.

Setores e atividades

O desempenho de Minas Gerais no mês de junho em relação ao mesmo mês do ano anterior mostra que as indústrias extrativa e a de transformação tiveram quedas de 21,7% e de 13,9%, respectivamente. Considerando o peso relativo de cada setor, a queda da indústria geral aponta que o setor extrativo contribuiu com 17,8% e o de transformação com os 82,2% restantes.

Ainda de acordo com a pesquisa, no período entre setembro e dezembro de 2008, um dos setores mais afetados pela crise foi a indústria extrativa, que teve sua produção reduzida em 52,3% devido à queda na demanda mundial por minério de ferro. No entanto, o setor vem apresentando recuperação rápida na margem, com alta de 58,2% entre dezembro de 2008 e junho de 2009. “Este resultado se reflete nas taxas mensais. Se em dezembro de 2008 a taxa mensal era de -50,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em junho de 2009 ela foi de -21,7%”, explica Castro.

Na indústria de transformação, oito das 12 atividades pesquisadas em Minas Gerais apresentaram declínio na produção. As exceções foram os setores de alimentos (8,4%), bebidas (3,5%), celulose, papel e produtos de papel (3,3%) e refino de petróleo e álcool (0,9%).

O setor de alimentos, que apresentou a maior contribuição positiva para o resultado da indústria, é o que tem se mostrado mais resistente à crise, não tendo apresentado taxa mensal negativa de crescimento em momento algum após setembro. “Isto pode ser explicado pelo fato de que os produtos alimentícios são bens de primeira necessidade, de tal forma que a demanda por eles não apresenta uma queda forte como aconteceu, por exemplo, com os bens de consumo durável e os bens de capital”, destacou Pedro Castro.

A atividade que mais contribuiu para a queda geral da indústria em Minas Gerais foi a de metalurgia básica, com queda de 29,0%. O setor Máquinas e Equipamentos, que inclui bens de capital e bens de consumo durável, categorias de uso que costumam ser afetadas de maneira mais intensa em períodos de contração da atividade econômica, apresentou a segunda maior contribuição negativa sobre a indústria de transformação mineira (45,7%). O terceiro maior impacto negativo veio da atividade veículos automotores (12,3%).

Ainda segundo Pedro Castro, este declínio é observado nas comparações entre junho de 2009 e junho de 2008. “Taxas negativas neste parâmetro de comparação provavelmente serão observadas até outubro, por um efeito puramente estatístico: a indústria mostrou forte contração no quarto trimestre de 2008, jogando a base de comparação bem para baixo. O mais relevante é ficar atento às taxas marginais porque elas é que dizem se a economia está se recuperando ou não. Acredito que elas continuarão positivas, embora seja possível que as taxas fiquem menores”, esclarece o pesquisador da Fundação João Pinheiro.

“É difícil antecipar quais setores serão destaque em uma recuperação, mas acredito que seja a indústria extrativa, a metalúrgica, e a de bens de capital porque foram justamente os setores mais afetados pela crise, o que implica a existência de maior capacidade ociosa a ser preenchida”, concluiu o pesquisador.

 

 

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