30/07/2009
Janaína OliveiraRepórter
Depois de seis meses consecutivos de alta, a taxa de desemprego da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) manteve-se estável em 11%, entre maio e junho. No período, mil novos postos foram gerados, mas, em contrapartida, mil pessoas passaram a procurar uma nova colocação. Com isso, o contingente de trabalhadores sem uma vaga no mercado de trabalho permanece em 293 mil. Ainda assim, a RMBH segue à frente das outras cinco principais capitais, ostentando o menor índice de desempregados entre as demais.Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Fundação João Pinheiro (FJP), em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), mostram ainda que o desemprego oculto, seja pelo trabalho precário (trabalhador que está sem emprego mas fez algum “bico” nos últimos 30 dias) ou pelo desalento (trabalhador que batalha por uma vaga há 12 meses mas, por alguma razão, deixou de procurar no último mês) subiu de 2,1% para 2,5%.
“O fato de a RMBH ter registrado estabilidade na taxa de desemprego, após uma trajetória de elevação, é positivo. Mas os números apontam também para uma certa piora no mercado de trabalho, com crescimento do desemprego oculto e da informalidade”, avaliou o coordenador técnico da PED pela FJP, Plínio Campos Souza, acrescentando que, em junho, verificou-se no setor privado diminuição de 5 mil vagas entre os assalariados com carteira assinada e incremento de 3 mil entre aqueles sem registro
O comércio encabeçou os cortes, com a eliminação de 14 mil postos entre maio e junho. “Cidades do entorno, como Sete Lagoas, Itabira e Ipatinga, que vivem muito da indústria, comumente fomentam o comércio da capital. Porém, como sentiram de forma mais forte a crise econômica, deixaram de comprar ou passaram a comprar menos, afetando o negócio como um todo”, detalhou Souza.
O grupo “outros setores”, no qual é computado o emprego doméstico, também sofreu retração de 7 mil vagas. “Em tempos de crise, a doméstica é a primeira que sofre. As famílias cortam na carne antes de cortar no osso”, comenta o coordenador.
Por outro lado, o setor de serviçosel por 57% dos postos na RMBH, abriu 15 mil vagas. Na carona das obras da Linha Verde, do Centro Administrativo e do do mercado imobiliário, a construção civil também cresceu, com a colocação de 7 mil trabalhadores.
Ainda na RMBH, o rendimento real médio foi estimado em R$ 1.194 em maio, com ligeiro acréscimo de 0,7% em relação a abril. No Brasil, a média é de R$ 1.199. Trabalhadores paulistas ganham os melhores salários (R$ 1.230), apesar da queda de 2,1% em relação ao mês anterior.
Na análise das seis das principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego recuou para 14,8% em junho, redução que interrompeu a sequência de cinco meses de estabilidade. O contingente de desempregados nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal diminuiu para 2,984 milhões de pessoas, 112 mil a menos que em maio.
Com exceção da RMBH, o desemprego recuou em todas as regiões pesquisadas. “Mas vale lembrar que, para alcançar a taxa da RMBH, São Paulo, por exemplo, teria que elevar o número de ocupações em 23%. Já em Porto Alegre, seria necessário incremento de 8%”, detalha o secretário Agostinho Patrús Filho.



