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Bico vira alternativa ao desemprego em BH

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Estado de Minas – Economia
30/07/2009

 

Marta Vieira - Estado de Minas
Paula Takahashi - Estado de Minas

 Para garantir a renda familiar, pelo menos enquanto não conseguem emprego, mais trabalhadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) estão vivendo de bico, apesar dos sinais de recuperação da economia. Em junho, eram 29 mil os desempregados pelo trabalho precário – aqueles que exercem alguma atividade remunerada sem regularidade, mantendo a busca por uma ocupação permanente –, 8 mil a mais que em maio. Número que já representa 10% do total de desempregados da RMBH, estimado em 293 mil pessoas.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fundação João Pinheiro e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). “O resultado demonstra uma inversão do que vinha acontecendo anteriormente e indica uma piora do mercado de trabalho na Grande BH”, avalia Plínio de Campos Souza, técnico da Fundação João Pinheiro.

A situação é vivida pela estudante Juliana Neres Gonçalves, que, desde o mês passado, anuncia empréstimos no Centro de BH até que consiga um emprego com carteira assinada. “Antes trabalhava em uma lanchonete e fui camareira, mas agora quero uma coisa mais certa. Enquanto não chega, vou atraindo pessoas para pegar empréstimo”, afirma. A taxa total de desempregados na Grande BH ficou estável em 11% frente a maio e, novamente, representou o menor índice entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas – São Paulo, Recife, Porto Alegre, Salvador e Brasília.

O crescimento do universo de quem sobrevive de bicos, à procura de emprego, característica da economia informal, tem sido observada em todo o país nos últimos anos, segundo estudo também divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e é fator de mudanças do mercado de trabalho. As dificuldades enfrentadas por esse grupo da população contribuíram para a queda de 10,7% da jornada de trabalho semanal média no país nas últimas duas décadas, entre 1988 e 2007. A carga horária média diminuiu de 44,1 para 39,4 horas por semana, mas isso não significa que melhoraram as condições para o trabalhador, pondera o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.

"O que se percebe é que houve redução generalizada da jornada no país, mas isso levou à má distribuição do tempo trabalhado. Como não existe um sistema de proteção social, muitos são forçados a fazer qualquer tipo de trabalho de tempo reduzido, embora queiram trabalhar mais”, afirma Pochmann. Foi o que aconteceu com Uender Rezende de Oliveira, que, a cada dia, exerce uma função diferente no Centro da capital. “Vou de loja em loja e pergunto se estão precisando de alguém. Hoje estou vendendo celulares, mas amanhã posso estar vendendo e comprando ouro ou anunciando almoço para um restaurante. Depende do que surgir”, afirma. O horário de trabalho também varia de acordo com o cargo do dia. “Tem vez que trabalho menos, outras mais, mas fico sempre por aqui em busca de uma oportunidade”, afirma.

No mercado formal, a jornada caiu menos – uma redução de 9,1% – ante a queda de até 28,2% das horas médias trabalhadas por quem não é remunerado, segundo o estudo do Ipea. Em 2007, jornadas parciais de trabalho eram feitas por 29,2% das pessoas ocupadas no Brasil, um índice alto, retratado na informalidade.

Estabilidade

O resultado da taxa de desemprego na RMBH já representa um sinal de recuperação do mercado, que há seis meses vinha apresentando aumento dos índices de desocupação. “Já percebemos um nível de retomada, principalmente na indústria. Os produtores de ferro-gusa (matéria-prima do aço) de Sete Lagoas já estão reativando fornos, a Usiminas está fazendo o mesmo”, afirma o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Agostinho Patrus Filho.

Em junho, o nível do emprego na indústria permaneceu estável. Na comparação com junho do ano passado, foram eliminados 35 mil postos no setor. Já o comércio fechou 14 mil vagas em junho, enquanto serviços contratou 15 mil empregados e construção civil, 7 mil. No acumulado das seis regiões metropolitanas pesquisadas, a taxa de desemprego caiu de 15,3% para 14,8%.

 

 

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