Janaína Oliveira
Repórter
As nuvens escuras que rodam o mercado de trabalho desde a eclosão da crise econômica mundial, no final de setembro de 2008, começam a se dissipar. Apesar de, em maio, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ter sido superior à do mês anterior - 11% ante 10,8%, o número de ocupados manteve-se estável em 2,368 milhões no período. “A geração de vagas voltou a acontecer, e os postos pararam de ser destruídos”, comemorou Plínio de Campos de Souza, coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação João Pinheiro (FJP), divulgada ontem.
Segundo ele, as contas do emprego só não fecharam positivas devido à entrada de 6 mil pessoas no mercado de trabalho na RMBH. “Quando o candidato sabe que o mercado não está para peixe, não vai em busca, prefere ficar em casa. Mas, motivado com as notícias de que o pior da crise já passou, acaba saindo em busca de uma colocação”, explica.
Com a abertura de 31 mil vagas, o setor de serviços foi o que mais gerou postos em maio. “Até por sua vocação, a ocupação nos serviços na capital mineira foi quase quatro vezes maior do que nas demais regiões metropolitanas”, detalhou o secretário Agostinho Patrus Filho, do Desenvolvimento Social, órgão que também participa do levantamento.
Ainda no mês de maio, na comparação com abril, a construção civil registrou estabilidade. No lado inverso, houve retrações no comércio, com o corte de 7 mil postos, no agregado “outros setores” (-12 mil) e na indústria, segmento onde ocorreram 12 mil dispensas no mês.
A administradora de empresas Josiane Marzano, 29, foi uma das vítimas da tesoura no setor industrial. Funcionária de uma multinacional alemã até pouco tempo, ela perdeu o cargo e hoje analisa as oportunidades do mercado. “Primeiro, houve vários cortes em São Paulo. Até que (as empresas) começaram a mandar embora funcionários da filial de Belo Horizonte também”, contou, acrescentando que o argumento foi a crise internacional.
Quem conseguiu manter-se no posto, obteve, no mês de abril, rendimento médio estimado em R$ 1.182, o equivalente a um incremento de 1,4% em relação a março. O montante, no entanto, é inferior à média dos rendimentos dos ocupados nas seis regiões analisadas pela PED, equivalente a R$ 1.210.
Os trabalhadores da RMBH ainda recebem salários menores que os moradores do Distrito Federal (R$ 1.836), de São Paulo (R$ 1.253) e de Porto Alegre (R$ 1.203).
Já o rendimento dos assalariados aumentou 1,9% , passando a R$ 1.204. Ainda em abril, a massa de rendimento real dos ocupados cresceu 2,7% em relação a março. Por sua vez, a dos assalariados aumentou em 2,5%. Na análise dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 13,3% e 11,5%, respectivamente.
Considerando-se o desemprego apurado nas seis regiões metropolitanas, a taxa atingiu 15,3% em maio, repetindo o índice de abril. De acordo com a PED, o total de desempregados subiu de 3,079 milhões, em abril, para 3,096 milhões no mês passado, o que representou um acréscimo de 17 mil trabalhadores sem uma ocupação.
A RMBH foi a região que registrou a menor taxa de desemprego entre as demais pesquisadas: 11%. Diferentemente do que ocorreu na capital e entorno, entretanto, na análise que envolve o conjunto das regiões metropolitanas a indústria foi o único setor que eliminou postos de trabalho, com corte de 16 mil vagas no período.
O segmento de serviços foi o que mais criou postos, com acréscimo de 60 mil vagas. A construção civil apresentou incremento de 19 mil postos, o comércio exibiu um aumento de 5 mil empregos, enquanto a categoria outros setores, que engloba serviços domésticos, gerou 12 mil vagas de trabalho.



