Paula Takahashi - Estado de Minas
Os sinais cada vez mais sólidos de recuperação do mercado de trabalho e o pagamento das últimas parcelas do seguro-desemprego dos demitidos no auge da crise estão criando um cenário favorável à busca de recolocação profissional. Somente nos últimos dois meses, 56 mil pessoas começaram a correr atrás de uma vaga na Região Metropolitana de Belo Horizonte, aumentando a População Economicamente Ativa (PEA). Mas, com demanda maior, as 29 mil novas oportunidades criadas não foram suficientes para atender a procura. Resultado: os índices de desemprego na RMBH continuam crescendo, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese) em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP), Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Entre março e maio, as taxas de desocupação na RMBH subiram de 10,2% para 11% em função do aumento da População Economicamente Ativa (PEA). Para Plínio de Campos, técnico em pesquisa da FJP, os índices negativos do início do ano desestimularam a procura de emprego e mais pessoas acabaram ficando em casa. “Quando a pessoa sabe que o mercado não está para peixe, prefere ficar em casa, até porque acabam gastando dinheiro durante a procura. Mas, com os sinais de recuperação, as pessoas voltam a se candidatar para as vagas, o que pressiona o mercado”, avalia.
No Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Minas Gerais já é possível perceber esse fluxo. No acumulado dos primeiros meses do ano, o Sine registrou aumento de 25% no número de inscritos em relação ao mesmo período do ano passado. “Estamos com um movimento maior do que o normal para essa época do ano, principalmente no que diz respeito a maio, e percebemos um acréscimo na busca por oportunidade de trabalho”, avalia Mônica Duarte Mattos, coordenadora do Sine Floresta, na capital.
Além do otimismo quanto à geração de postos de trabalho, outro fator tem estimulado a busca por uma vaga: o fim do benefício do seguro-desemprego. “O aumento da PEA em 50 mil pessoas em abril pode ter como uma das justificativas o período de término do seguro-desemprego, o que leva as pessoas a retomarem a busca por emprego”, afirma Mateus Cópio, diretor do Observatório do Trabalho, Emprego e Renda da Sedese.
A intensificação da procura dos candidatos já tem sido sentida nos sites de recrutamento. Segundo o gerente de Marketing da Vagas Tecnologia, Luis Testa, o mês de maio foi recordista em visitas, com 5,5 milhões de acessos. “Foi um recorde histórico que pode ser explicado pela retomada da atividade econômica”, avalia. O número de inscrições de currículos também cresce continuamente e já dobrou nos últimos meses. “Mensalmente são 100 mil inscrições, contra 50 mil no período pré-crise”, acrescenta.
No site da agência de recrutamento do Grupo Selpe também já é possível perceber o aumento da demanda. Entre abril e maio já houve um acréscimo de 12% no volume de visitas que passou para 55 mil ao mês. “É uma situação atípica para o período, que poderia ser explicada pelas notícias positivas e ter sido estimulada pelo fim do segura-desemprego”, afirma Hegel Botinha, diretor comercial do grupo. O número de vagas oferecidas pela empresa já começou a se recuperar com a abertura de, ao menos, 400 oportunidades mensais. “No período mais crítico da crise, no primeiro trimestre, a oferta chegou a cair 70%, com pouco mais de 100 vagas disponíveis. Aos poucos, a situação vai se normalizando”, acrescenta.



