O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais (soma das riquezas produzidas) sofreu uma retração de 5,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados divulgados terça-feira pela Fundação João Pinheiro (FJP). O principal motivo do recuo foi a crise mundial, que afetou as exportações do estado. Foi o primeiro resultado negativo no período desde 2003, depois de seis anos de taxas positivas e, em boa parte, superiores ao desempenho da economia brasileira. A queda em Minas superou a retração de 1,8% do PIB brasileiro nos primeiros três meses deste ano, influenciada pelo peso maior na economia mineira do setor industrial, o mais sacrificado pela turbulência financeira no mundo. A indústria retraiu 18,3%.
Os números do PIB de Minas já eram esperados, acompanhando a tendência no país, em função da dependência que a produção mineira tem das exportações, observa a pesquisadora Maria Helena Magnavaca de Alencar, coordenadora do levantamento de dados da FJP. “A economia de Minas é muito voltada para a produção de bens destinados ao consumo intermediário de outros segmentos da própria indústria e à exportação de mercadorias que sofrem com a crise internacional”, afirma.
A agropecuária e o setor de prestação de serviços mostraram bom desempenho, com crescimento de 9,8% e 2%, respectivamente, mas não foi o suficiente para contrabalançar as taxas negativas verificadas em nove dos 12 segmentos da indústria. O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana Rodrigues, diz que os últimos dois meses já mostraram uma recuperação das vendas de produtos agrícolas e minerais. “De um modo geral, observamos uma retomada nada eufórica, mas a depreciação está ficando para trás.” Há recuperação neste segundo trimestre das compras de países importadores da carne bovina e de aves produzidas em Minas. A construção civil, por sua vez, teve desempenho favorável no primeiro trimestre, com expansão de 2%, segundo a pesquisa da FJP.
Os números do PIB mineiro não surpreenderam o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, que, da mesma forma, destaca sinais de reação nos últimos meses. “A indústria e a mineração são dois setores extremamente importantes para a economia de Minas e eles foram os mais prejudicados pela crise”, disse.
Siderurgia
Outro indicador relevante no cenário de uma retomada é que as demissões não voltaram a crescer, de acordo com o presidente da Fiemg. Em consequência da crise mundial, a indústria mineira cortou 100 mil postos de trabalho. Além da extração de minerais, o segmento da siderurgia foi um dos mais enxugou o quadro de pessoal. Andrade disse ter sido informado de que, a partir de setembro, a indústria metalúrgica começará a voltar à normalidade. O ritmo das fábricas deve retornar ao nível anterior à crise entre meados e o fim de 2010.
A indústria responde por 32% do PIB – portanto, pouco menos de um terço do desempenho da economia mineira, seguida da agropecuária, com participação de 8%. A principal fatia, de 60%, cabe ao setor de prestação de serviços. Para o economista Márcio Antônio Salvato, professor do Ibmec Minas, o resultado do PIB de Minas no primeiro trimestre deste ano só confirmou o grau maior de sensibilidade da produção de bens e serviços do estado à escassez do crédito no mercado internacional.
“Quando a demanda externa cai bastante, os setores exportadores, principalmente de commodities (produtos agrícolas e minerais com cotação no exterior), são os primeiros a sofrer”, afirma Salvato. O economista acredita que a economia mineira não conseguirá reverter o resultado negativo até o fim do ano. Os principais produtos exportados pelo estado enfrentaram o baque nas compras internacionais, em especial, minério de ferro, aço e automóvei


