Estado de Minas – Economia - 3 de julho de 2008
Belo Horizonte e Montes Claros – O crescimento acelerado do emprego com carteira assinada no interior de Minas Gerais desbanca a Região Central, responsável por quase metade das vagas formais de trabalho no estado. Cidades da Zona da Mata, do Noroeste, Triângulo, Alto Paranaíba e até mesmo os municípios carentes do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas se beneficiaram do crescimento econômico e de um aumento do nível de ocupação de mão-de-obra entre 2000 e 2006. Nessas regiões, as contratações formais chegaram a crescer mais que o dobro da média de 4,9% ao ano do estado, segundo estudo divulgado ontem pelos pesquisadores da Fundação João Pinheiro e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
O mais novo mapa do mercado de trabalho em Minas foi traçado, com base na análise de dados para 66 microrregiões de todo o estado. Danilo Gomes de Freitas, um dos coordenadores do trabalho, observou que as taxas de expansão do emprego formal alcançaram 3,4% a 7,4% no Sul de Minas e Alto Paranaíba, ao mesmo tempo em que no Norte, Noroeste e Jequitinhonha tiveram desempenho bem melhor, de 7,4% a 12,4% anuais. Na Região Central, o crescimento foi menor, de 4,3% ao ano, portanto abaixo da média do estado.
Os últimos três anos da série de estudos – 2003 a 2006 – mostraram um dinamismo ainda mais forte, com taxa de crescimento das vagas com carteira de 6,1% ao ano, em média, no estado. Em 2006, havia 3,74 milhões de empregos formais no estado, dos quais 49% mantidos na Região Central de Minas, que mais tem sido favorecida pela recente expansão da indústria e da mineração. Ainda assim, no começo da década, a região participava com mais da metade (50,7%).
A microrregião de Salinas, no Norte de Minas, sem contar o bom desempenho de Montes Claros, teve o principal destaque da pesquisa, com taxa de crescimento de 12,4% do emprego formal. Boa parte dos municípios mais pobres foram favorecidos pelos postos de trabalho gerados pelo setor público, principalmente nas obras de infra-estrutura.
Marlene Leal, técnica em contabilidade, conseguiu emprego depois de seis meses de procura. Foi selecionada para trabalhar no departamento financeiro da franquia de lojas de depilação Depyl Action na capital mineira. “A experiência complementa a escolaridade, duas das maiores exigências das empresas hoje”, afirma. Marlene está no ramo há seis anos.
Outro trabalhador que comemora o registro na carteira é o encarregado de obras Francisco Lopes dos Santos. Ele foi fichado em 2005. “Com carteira assinada é mais seguro para a gente trabalhar”, afirma. “Foi muito bom conseguir o emprego com carteira assinada. Tenho o salário e meus direitos assegurados, como a Previdência e o Fundo de Garantia”, comemora Fabiano Marcelino da Silva, de 30 anos, gerente administrativo de um posto de gasolina, um dos trabalhadores beneficiados com o aumento dos empregos formais em Montes Claros nos últimos anos. Ele conta que antes do serviço no posto, ficou cinco anos desempregado.



