Estado de Minas | 26 de junho | 2008
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Emprego formal na capital e em seu entorno chega a 47,5% da população ocupada, cerca de 1,095 milhão de pessoasMarta VieiraOs direitos sociais garantidos pela carteira de trabalho já alcançam quase metade da população que trabalha na Grande Belo Horizonte, favorecida pelo aumento do emprego num período de forte crecimento da indústria, do comércio e das empresas prestadoras de serviços. Em maio, 1,095 milhão de pessoas estavam empregadas com registro na Região Metropolitana de BH, representando 47,5% da população ocupada em alguma atividade (2,306 milhões). Tanto o universo de trabalhadores formais quanto a participação deles no bolo dos empregos bateram recorde, de acordo com a pesquisa mensal sobre o emprego e o desemprego da Fundação João Pinheiro (FJP), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
A cada 10 vagas criadas nos anos 90, no máximo quatro eram abertas na economia formal, percentual que caiu a 38,4% do total em maio de 2003 e voltou a subir um ano depois, para 41,4%. O resultado do mês passado foi o melhor desde dezembro de 1995,ínicio da pesquisa mensal que acompanha o comportamento do mercado de trabalho na Grande BH, informou o economista Plínio de Campos Souza, coordenador do levantamento pela FJP. “O próprio crescimento econômico levou a um ritmo extremamente positivo de criação de postos de trabalho com carteira assinada”, afirmou.
A melhora da qualidade do emprego dá mais esperança aos trabalhadores à procura de trabalho num momento também de queda importante do desemprego no entorno da capital. A taxa de desempregados baixou de 11,2% em abril para 10,7% no mês passado, percentual idêntico ao de dezembro de 1996, que já era o menor da série histórica da pesquisa. Frente a maio de 2007, a redução foi de 18,9%, determinada por 80 mil empregos criados a mais no período comparado. Esse dinamismo permitiu que 62 mil pessoas deixassem a condição de desempregados. Ainda há, no entanto, 276 mil sem emprego.
Ao analisar os números, o economista Mateus Cópio Fábregas, da Sedese, destacou ainda a redução do tempo de procura por trabalho, que passou de um ano e 15 dias (54 semanas) no ano passado para 11 meses (47 semanas). “Se a economia brasileira continuar crescendo sem nenhum revés ou influência negativa do mercado internacional, podemos ter taxas de desemprego de um dígito ainda este ano”, afirmou. Em BH, a cidade mais dinâmica da região metropolitana, a proporção de desempregados já baixou de 10%, alcançando 9,2% no mês passado.
As notícias animaram o bombeiro José Luiz Barbosa, de 47 anos, que em 2006 começou uma batalha para trocar o emprego por conta própria pelo trabalho com a carteira assinada. Ele recebeu ontem, no posto do Sistema Nacional de Emprego (Sine) na Praça Sete, Centro da capital, uma carta que dá nova oportunidade para conquistar uma das vagas oferecidas por uma empresa na Grande BH. “O mercado está melhor, mas as exigências também cresceram”, diz Barbosa.
O setor de serviços em que Barbosa procura uma ocupação foi o que mais criou postos de trabalho – 46 mil ao todo –, na comparação com maio de 2007. A indústria, com destaque para o segmento metal-mecânico, que engloba as fábricas de automóveis e autopeças, respondeu por outras 21 vagas, o comércio abriu 27 mil oportunidades e a construção civil, 6 mil.
LADEIRA ABAIXOTaxa de desemprego na Grande BH
Maio 2007 13,2% |
Junho 12,7% |
Julho 12,3% |
Agosto 11,8% |
Setembro 11,4% |
Outubro 11,5% |
Novembro 11,1% |
Dezezembro 11% |
Janeiro 2008 11% |
Fevereiro 11,4% |
Março 11,4% |
Abril 11,2% |
Maio 10,7% |
Fonte: FJP/Dieese/Sine-BH
Rendimentos também aumentam
A expansão do emprego puxou para cima os rendimentos do trabalho na Grande BH. Comparada aos vencimentos pagos em abril do ano passado, a renda média, descontada a inflação, cresceu 3,8%, ao sair de R$ 994 para R$ 1.032. Os autonômos levaram a melhor, com um aumento de 11,1% no período, mas eles apuram cifras menores, de R$ 808 em abril deste ano, ante R$ 727 no mesmo mês de 2007. Quem vive de salário se beneficiou de um acréscimo de 4,9% no contracheque de R$ 1.075, em média, frente a R$ 1.025 um ano atrás.
A preocupação dos economistas, agora, é com o encarecimento do crédito, diante da política do Banco Central (BC) de arrochar a taxa básica de juros, aquela que serve de referência para as operações nos bancos e no comércio. “A elevação dos juros desestimula o consumo e os investimentos no setor produtivo, mas há uma boa expectativa com os projetos de expansão do setor privado e de obras públicas”, afirma Mateus Fábregas, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.
Um indicador que desenha cenários mais otimistas é o crescimento dos investimentos na economia brasileira. Se mantidos programas de expansão e a construção civil continuar aquecida, aumentam as chances de trabalhadores como a técnica de enfermagem Viviane da Cruz Oliveira, de retornar ao mercado de trabalho. “Tenho esperança e rezo muito. Meu sonho é trabalhar com a carteira assinada”, diz Viviane, que se formou na profissão em 2005, fez estágios em pelo menos três hospitais, mas ainda tem dificuldades de trabalhar na área, em função da experiência exigida pelas empresas.
Aos 29 anos, Viviane diz que faltam oportunidades justamente para quem não consegue abrir a primeira porta para a contratação. Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese, em parceria com institutos locais de pesquisa, a taxa de desempregados na Grande BH em maio foi a menor. No sentido oposto, a situação mais grave é observada em Salvador, com uma proporção de 20,8% de desempregados. (MV)



