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Desemprego cai a 10,7%, o menor apurado na RMBH

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Hoje em Dia | 26 de junho de 2008

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Os bons ventos da economia sopraram no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em maio. A taxa de desemprego atingiu o menor patamar de toda a série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), passando dos 11,2%, em abril, para 10,7%, mesmo índice alcançado em dezembro de 1996. A capital, isoladamente, também registrou o menor índice de desocupados dos últimos 12 anos (9,2%). A geração significativa de postos (26 mil) foi fundamental para esses resultados. Outra boa notícia é a qualidade das vagas que estão sendo geradas: a proporção de colocações com carteira bateu recorde no mês, representando 47,5% do total de ocupados (1,095 milhão de trabalhadores).


Nunca na RMBH houve um número de assalariados com registro tão grande. Nos primeiros anos da PED, a taxa ficava entre 39% e 40% e, a partir de 2005, começou a subir e vinha se mantendo em uma média de 44%. Agora já nos aproximamos da metade dos empregos existentes no mercado de trabalho, o que é muito importante”, comenta o coordenador da PED pelo Departamento de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Mário Rodarte. De acordo com a pesquisa, que é realizada em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), somente em maio, foram geradas 37 mil vagas formais no setor privado, em relação a abril, e 113 mil frente a maio do ano passado.


O comércio foi o setor que mais contribuiu para a geração de ocupações no mês, com 27 mil novos contratados, na comparação com o mês imediatamente anterior. Em seguida, aparecem serviços (9 mil) e indústria (2 mil), enquanto a construção civil e o grupo ½outros” perderam, respectivamente, 7 mil e 5 mil postos. ½Percebemos que há uma acomodação do mercado, tendo em vista que as demais atividades vinham ofertando vagas mais fortemente nos levantamentos anteriores deste ano, enquanto o comércio compensou agora essa defasagem. Quando olhamos os dados anuais, não há uma dinâmica tão diferenciada”, observa Rodarte.


A análise do gerente de pesquisa e mercado da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Fernando Sasso, é semelhante. ½Houve abertura de lojas nos últimos meses, porém, o que avaliamos é que existe, no segmento, uma consolidação de crescimento. Os comerciantes estão adequando seus quadros para atender um volume maior de consumidores. A demanda se manteve em alta desde o Natal, apesar das turbulências internacionais”, esclarece, acrescentando que os ramos de vestuário, calçados e alimentação são os que têm apresentado resultados mais expressivos. ½Há mais pessoas consumindo no mercado interno, especialmente com a expansão do poder aquisitivo das classes C e D. Mesmo que os valores das compras sejam menores, o volume de pessoas é muito maior”, completa.

A avaliação de Mário Rodarte é de que esses bons ares continuem aquecendo a RMBH, embora a continuidade na elevação da taxa básica de juros no país (Selic), com a finalidade de conter a inflação, possa desestimular o consumo e reduzir os investimentos. Isso, conseqüentemente, impactaria no ritmo de geração de vagas na capital mineira e seu entorno. ½A tendência é de uma atividade econômica mais intensa no segundo semestre e, mesmo que haja contratempos, de crescimento do emprego, ainda que em menor intensidade”, sintetiza o pesquisador, lembrando que a renda dos trabalhadores, que continuam em boa trajetória de alta, também podem ser afetados negativamente.

 

Nos primeiros meses deste ano, o rendimento dos ocupados ainda tem caminhado no sentido de recuperação dos ganhos reais, conforme os números da PED. ½Entre abril de 2005 e o mesmo mês de 2006, houve uma elevação de 7,7%. De 2006 para 2007, de 10,2%. Agora, registramos uma taxa de 3,8%, na comparação entre o quarto mês do ano passado e de 2008, chegando a R$ 1.032. Então são crescimentos consecutivos e expressivos, principalmente porque são reais (já deduzem a inflação do período), ou seja, representam efetivamente um aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores”, explica Rodarte, que ressalva que os patamares de renda de 1996 e 1997 (R$ 1.095 e R$ 1.097) ainda não foram alcançados. ½Mais estamos nos aproximando”, afirma o coordenador da pesquisa.


Ele, no entanto, preferiu não arriscar uma aposta sobre a possibilidade de se alcançar esses valores da década de 90 ainda neste ano. ½Tudo sugere que essa mesma movimentação vá continuar, pelo próprio aumento do salário mínimo e em função dos acordos salariais, que, segundo estudos de outras entidades, têm ficado acima da inflação. Porém existe um cenário incerto: uma taxa de juros em elevação, ao passo que os indicadores econômicos estão positivos para o investimento, há obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além de o ano ser eleitoral. É difícil saber exatamente o que esperar”, justifica Rodarte.


A taxa de desemprego da RMBH se manteve mais uma vez como a menor entre as seis regiões metropolitanas onde é realizada a PED. Em maio, no entanto, a distância para a segunda colocada, Porto Alegre, aumentou. A capital mineira registrou um índice de 10,7% contra 12,2% da cidade gaúcha. Em seguida, aparecem São Paulo (14,1%), Distrito Federal (17,4%), Recife (20,5%) e Salvador (20,8%). A média nacional ficou em 14,8%.

 

Luciana Rezende

Repórtes

 

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