Agência Mianas e Jornal Minas Gerais | 26 de junho | 2008
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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte caiu de 11,2%, em abril deste ano, para 10,7%, em maio, um recuo de 4,5%. É o menor índice da série histórica, igualado apenas pelo índice de dezembro de 1996, primeiro ano da pesquisa. O número de desempregados totalizou 276 mil no mês, 12 mil a menos do que em abril último.
Considerando apenas Belo Horizonte, a taxa de desemprego foi de 9,2%, também a menor da série histórica da capital.
As informações são da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte, divulgada nesta quarta-feira, 25, pela Fundação João Pinheiro, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, “até o fim do ano, não havendo nenhum sobressalto na economia, a taxa de desemprego na RMBH pode baixar de dois dígitos”. Eles esclarecem que “com esse desempenho, o total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 1,032 milhão, o que significa 47,5% do total dos ocupados da RMBH, que é de 2,306 milhões, maior percentual da série, que se iniciou em 1996, e indica a continuidade na tendência já detectada de formalização do mercado de trabalho na grande BH”.
A População Economicamente Ativa (PEA) foi estimada em 2,582 milhões e o número de ocupados em 2,306 milhões. A queda no desemprego em maio deveu-se à geração de 26 mil ocupações na RMBH, número que superou as 14 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho no mês. Foram criadas de 37 mil vagas entre os trabalhadores com carteira assinada no mês e 113 mil vagas quando se compara maio de 2008 com o mesmo mês de 2007. A pesquisa é coordenada pelo sociólogo Plínio de Campos Souza (Fundação João Pinheiro) e os economistas Mário Rodarte (Dieese) e Mateus Cópio (Sedese).
TABELA 1
ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA, ECONOMICAMENTE ATIVA, OCUPADA, DESEMPREGADA E TAXA DE DESEMPREGO TOTAL | REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE (RMBH) | Maio de 2007 a Maio de 2008
| Meses2007 | Populaçãoem IdadeAtiva – PIA | PopulaçãoEconomicamenteAtiva – PEA | Ocupados | Desempregados | TAXADEDESEMPREGO |
| Mai. | 4.196.000 | 2.564.000 | 2.226.000 | 338.000 | 13,2% |
| Jun. | 4.206.000 | 2.566.000 | 2.240.000 | 326.000 | 12,7% |
| Jul. | 4.215.000 | 2.571.000 | 2.255.000 | 316.000 | 12,3% |
| Ago. | 4.225.000 | 2.569.000 | 2.266.000 | 303.000 | 11,8% |
| Set. | 4.234.000 | 2.583.000 | 2.289.000 | 294.000 | 11,4% |
| Out. | 4.243.000 | 2.588.000 | 2.290.000 | 298.000 | 11.5% |
| Nov. | 4.253.000 | 2.594.000 | 2.306.000 | 288.000 | 11,1% |
| Dez. | 4.262.000 | 2.587.000 | 2.302.000 | 285.000 | 11,0% |
| Meses2008 | Populaçãoem IdadeAtiva – PIA | PopulaçãoEconomicamenteAtiva – PEA | Ocupados | Desempregados | TAXADEDESEMPREGO |
| Jan. | 4.272.000 | 2.614.000 | 2.326.000 | 288.000 | 11,0% |
| Fev. | 4.281.000 | 2.599.000 | 2.303.000 | 296.000 | 11,4% |
| Mar. | 4.291.000 | 2.609.000 | 2.312.000 | 297.000 | 11,4% |
| Abr. | 4.301.000 | 2.568.000 | 2.280.000 | 288.000 | 11,2% |
| Mai. | 4.310.000 | 2.582.000 | 2.306.000 | 276.000 | 10,7% |
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio -FJP/DIEESE/SEADE/SEDESE – MG | |||||
Recuperação do comércio
Por setores de atividade econômica, a pesquisa, em maio, verificou a ampliação de 27 mil postos de trabalho no comércio, de 9 mil nos serviços e de 2 mil na indústria. A construção civil perdeu 7 mil ocupações e o agregado "outros setores" 5 mil postos.
Comparando maio de 2008 com maio de 2007, houve geração de 113 mil empregos com carteira assinada e perda de 13 mil entre os sem carteira no setor privado. No setor público foram criados 19 mil postos de trabalho, o emprego doméstico apresentou relativa estabilidade, com 1.000 vagas a menos. Entre os autônomos houve redução de 14 mil ocupações e no agregado "demais formas de inserção" a redução foi de 24 mil postos. O tempo médio gasto pelos desempregados na procura por trabalho em maio ficou em 47 semanas, três a mais em relação a abril.
O resultado foi o acréscimo de 80 mil ocupações, sendo 46 mil nos serviços, 21 mil na indústria, 13 mil no comércio e 6 mil na construção civil. Somente no agregado “outros setores de atividade” registrou-se perda de 6 mil ocupações. O economista Mário Rodarte, explica que “o comércio se recuperou, criando 27 mil ocupações em maio, depois de iniciar 2008 em baixa, embora seus rendimentos não tenham tido o mesmo comportamento, provavelmente por estar pagando salários menores no mês”.
Também foram criadas 5 mil ocupações entre os assalariados sem carteira. No setor público houve relativa estabilidade, com 1.000 postos a mais. O emprego doméstico perdeu 5 mil ocupações, os autônomos apresentaram redução de 9 mil postos e nas "demais formas de inserção" a redução foi de 3 mil ocupações.
Renda em alta
Comparando abril a março de 2008, o rendimento real médio dos ocupados variou em 0,7% e passou de R$ 1.025 para R$ 1.032. O salário real médio elevou-se em 1,2%, de R$ 1.062 para R$ 1.075. Para os autônomos houve redução de 2,9%, passando de R$ 832 para R$ 808. No setor privado, o salário médio variou em 0,6%, ficando em R$ 917: na indústria aumentou em 4%, de R$1.021 para R$1.062, no comércio caiu em 4,6%, de R$ 808 para R$ 771, e nos serviços manteve-se relativamente estável (-0,3%), passando de R$ 906 para R$ 904.
A massa de rendimento real dos ocupados caiu 0,9%, reflexo da retração no nível ocupacional. A dos assalariados apresentou relativa estabilidade (-0,1%), visto que o nível de emprego reduziu-se e o salário real médio aumentou. Segundo Mário Rodarte, o rendimento vem crescendo nesses últimos três anos em função da economia do país estar indicando para um crescimento sustentável. Comparando abril de 2008 a abril de 2007, o rendimento real médio dos ocupados aumentou 3,8%, , e dos assalariados cresceu 4,9%. O rendimento real médio dos autônomos apresentou aumento de 11,1%, elevando-se de R$ 727 para R$808. Na indústria houve perda de 4,9%, enquanto subiu no comércio 7,4%, e nos serviços 6,5%, de R$ 849. A massa de rendimentos dos ocupados elevou-se em 6,7%, e a dos assalariados, em 10,1%. Em ambos os casos, esse comportamento resultou da elevação do rendimento real médio e do nível de ocupação.
Menor taxa
A taxa média de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em 14,4% contra 15% de abril de 2008, a menor para maio desde 1998 quando começou o boletim metropolitano. Belo Horizonte, com 10,7%, continua tendo a menor taxa entre elas, seguida de Porto Alegre com 12,2%, São Paulo com 14,2%, Distrito Federal com 17,4%, Salvador com 20,8% e Recife com 20,8%. O número de desempregados nas seis regiões foi de 2,949 milhões, o de ocupados foi de 16,930 milhões e a PEA ficou em 19,879 milhões. Foram criados 85 mil postos de trabalho, número superior às 68 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho, o que resultou em diminuição de 17 mil desempregados.
Entre os setores de atividade, os serviços criaram 39 mil postos de trabalho, a construção civil criou 12 mil, e o denominado “outros setores” criou 66 mil. Em contrapartida, o comércio perdeu 20 mil postos de trabalho e a indústria 12 mil. Os rendimentos foram de R4731 em Recife (+2,8%) de R$1051 em Porto Alegre (+2,7%), de R$ 901 em Salvador (1%), de R$ 1.032 em Belo Horizonte (0,7%). Não variaram em São Paulo (R$ 1.207) e no Distrito Federal (R$ 1.649).
Segundo os pesquisadores Mário Rodarte e Mateus Cópio, a tendência é de que essa situação favorável continue porque “o consumo e os investimentos estatais e privados estão em alta e há indicadores de que a economia brasileira este ano vai crescer acima do PIB. Mesmo com a intenção do governo federal de subir a taxa de juros e a inflação estar em um momento com tendência a alta, não acreditamos que a economia vá retroceder porque essa inflação não é de característica retro alimentadora e os juros podem ser controlados”.



