O Tempo | Caderno Cidades | 25 de junho | 2008
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Os índices de criminalidade violenta registrados em Minas no primeiro trimestre deste ano foram menores se comparados ao mesmo período de 2007. As taxas mostram que, de janeiro a março de 2008, foram registradas 32,93 ocorrências em cada grupo de 100 mil habitantes contra 37,31 em igual período de 2007. O que equivale a um decréscimo de 11,49%. A redução de 2007 para 2003 foi de 20,5%.
Em Belo Horizonte, a queda de crimes violentos entre o primeiro trimestre deste ano e igual período do ano passado foi de 10,22%. No comparativo entre 2003 e 2007, a queda foi mais significativa na capital e chegou a 41,02%. Os dados foram apresentados ontem pelo governador Aécio Neves e o secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos Júnior. Os números integram o anuário e o boletim de informações criminais elaborados pela Fundação João Pinheiro. São classificados como crimes violentos: homicídio, homicídio tentado, estupro, roubo e roubo a mão armada.
Quando se fala em números absolutos, também há queda. Em Minas, esses tipos de registros somaram 21.968 nos três primeiros meses do ano passado contra 19.704, em 2008. Mas, se todos os registros das polícias Civil e Militar (19.704) desse ano forem divididos pelos 91 dias do trimestre, é possível chegar à casa de 216 ocorrências diárias de crimes violentos no Estado.
Capital
Entre janeiro a março de 2007 registrou-se em Belo Horizonte a média de 95,81 ocorrências por 100 mil habitantes contra 86,01 neste ano. No caso dos homicídios, as ocorrências reduziram pouco na capital, passando de 3,69 (2007) para 3,14 para cada grupo de 100 mil habitantes no primeiro trimestre de 2008. "Hoje, a capital e região metropolitana estão mapeadas em cerca de cem áreas integradas de segurança pública. Elas determinam uma co-responsabilidade entre as polícias Civil e Militar em cada território da cidade para verificar seus diagnósticos e atuar mais direcionado", explicou o secretário. Na Grande Belo Horizonte, os crimes violentos caíram quase 9% comparando o primeiro trimestre desse ano com igual período de 2007. Gangues. Ainda de acordo com Campos Júnior, gangues espalhadas em 20 áreas de Belo Horizonte e de cidades do interior são mapeadas e monitoradas pela secretaria. "Essa é uma ação de controle de homicídios, considerando um tipo de fenômeno. Toda gangue é monitorada nesse trabalho", esclareceu.
Além de apresentar os indicadores, o governador afirmou que será publicado hoje um edital para contratação de mais 700 policiais civis. Também nesta quarta, serão colocados nas ruas mais mil militares, sendo que 900 vão reforçar o patrulhamento ostensivo da Grande Belo Horizonte. "Estamos diminuindo de forma vigorosa os indicadores de crimes violentos do Estado", ressaltou Aécio.
Temor
Sensação de segurança demora
Para o sociólogo Cláudio Beato, especialista em segurança pública , a queda de 40% nos crimes violentos ainda tende a demorar para surtir efeito na sensação de insegurança vivida pela população. “As pessoas afirmam que estão sendo menos assaltadas, mas que continuam com medo. Isso é porque vivemos, até 2003, uma fase de crescimento vertiginoso da violência e os efeitos desta época ainda são notados. Para que as pessoas se sintam mais tranqüilas, seria preciso uma queda ainda mais significativa nos índices”, explicou.
Casos brutais também contribuem para elevar a sensação de insegurança. Ontem, por exemplo, o tráfico de drogas demonstrou mais uma vez o poder de destruição. Dessa vez, a vítima foi Edilene Cunha, 21. Grávida de 2 meses, ela foi assassinada com 12 tiros dentro de casa, no bairro Primeiro de Maio, região Norte de Belo Horizonte, segundo a Polícia Militar. Conforme as primeiras apurações da polícia, atendendo a um pedido do atual namorado, a vítima teria se recusado a guardar drogas em casa para traficantes e, por vingança, acabou sendo morta.
Dois homens chegaram a ser detidos sob suspeita de serem os mandantes do assassinato. No entanto, conforme a Polícia Civil, eles foram ouvidos e liberados uma vez que não foram encontrados indícios contra eles. A assessoria de comunicação da corporação informou que um inquérito já foi aberto para apurar o crime. (Eugênio Martins/Raphael Ramos)
Interior
Uberaba e Montes Claros não têm queda
As duas únicas cidades citadas ontem pelo secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos, que não acompanharam a tendência de queda nas estatísticas foram Montes Claros, no Norte de Minas, e Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Dados da Fundação João Pinheiro mostram que as ocorrências de crimes violentos em Montes Claros subiram de 76,24 por 100 mil habitantes (2006) para 77,63 no ano passado. Já em Uberaba, os casos saltaram de 66,3, em 2006, para 83,34 ocorrências em 2007. “Estamos dando mais vida à gestão integrada das polícias no interior”, disse o secretário.
Segundo o secretário do Conselho Municipal de Segurança de Uberaba, Wellington Ramos, a principal dificuldade no combate ao crime na cidade é o tráfico de drogas. “Oitenta por cento dos homicídios estão relacionados com a droga. Uberaba está na rota do tráfico”. Ele espera uma queda dos crimes. (FP/Eugênio Martins)



