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Capital teve 73 crimes violentos por dia em 2007

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Hoje em Dia | 25 de junho | 2008

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A cada dia, 73 crimes violentos. Essa foi a rotina de Belo Horizonte em 2007. A estatística reúne ocorrências contra o patrimônio (roubos) e a pessoa - homicídios, estupros e tentativas desses dois crimes. No total, houve mais de 26.800 registros em 12 meses, só na capital. Os dados fazem parte do Anuário de Informações Criminais, elaborado pela Fundação João Pinheiro (FJP) e divulgado ontem pelo Governo estadual.

Embora aponte que a criminalidade vem perdendo espaço no Estado, com queda de 20,51%, em 2007, em comparação a 2003 - considerado ano crítico em termos de violência -, o relatório revela números que assustam. Em Minas Gerais, houve 84.682 crimes violentos no ano passado, sendo 3.766 assassinatos. Só em BH, foram 1.002 homicídios, mais 231 no primeiro trimestre de 2008. De janeiro a março deste ano, a média chegou a cinco mortes a cada 48 horas. Somente em metade das ocorrências na capital o autor é identificado pela polícia.

Os dados foram calculados a partir de ocorrências registradas pelas polícias Militar e Civil. Em BH, segundo o estudo, os crimes violentos diminuíram 41,02% de 2003 para 2007 - a maior parte dos registros é de roubo consumado e a mão armada. Mas, após anos de queda, o número de assassinatos teve ligeiro aumento: passou de 998, em 2006, para 1.002, no ano passado, o equivalente a 83 mortes por mês em BH.

O anuário aponta também que as taxas de crimes violentos são mais altas em cidades de população maior. Mais da metade dos homicídios (51,22%) estão concentrados na Região Metropolitana, e um quarto, em BH. Contagem, Ribeirão das Neves e Betim tiveram 261, 210 e 190 assassinatos em 2007. No interior, Montes Claros (Norte) e Uberaba (Triângulo) foram as únicas cidades em que os índices de crimes violentos subiram de 2006 para 2007.

O governador Aécio Neves atribuiu a redução da criminalidade ao trabalho conjunto das polícias Civil e Militar. «Retomamos os indicadores de 2002», afirmou. De acordo com o Governo, 13,5% do orçamento anual do Estado seriam destinados ao combate à violência. O montante teria chegado a R$ 16,6 bilhões nos últimos quatro anos.

A estratégia para tentar reduzir os crimes, em especial homicídios, vai passar pelo monitoramento de gangues que atuam em aglomerados e na periferia. Segundo o secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, foram mapeadas 20 áreas, em BH e no interior. Outro problema, segundo o chefe da Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro, é que os autores são identificados somente em metade dos homicídios registrados na capital. E isso não significa que sejam presos. «A prisão ainda é a exceção, e não a regra», afirmou. Para Maurício Campos Júnior, medidas como a implantação do inquérito eletrônico e a liberação de agentes que trabalhavam como carcereiros para investigações poderão agilizar a solução dos crimes.  De acordo com fontes ligadas à Secretaria de Estado da Defesa Social, a Região Norte teve os maiores índices de crimes violentos na capital, em 2007 e no primeiros meses de 2008, principalmente nos bairros Jaqueline, Jardim Leblon, Lagoa, Mantiqueira e outros de Venda Nova. Um dos locais mais violentos, segundo atestaram moradores, seria o Conjunto Zilah Spósito, no Jaqueline. Um dos homicídios até hoje não esclarecidos ocorreu em 24 de fevereiro, quando Geterson Lisboa, 21 anos, foi executado a tiros no interior de um ônibus da linha 5534, segundo informou a dona de casa R.C.S., 22 anos. Ela tem dois filhos de sua união com a vítima. «Até hoje a polícia não descobriu quem matou ele», disse. «Aqui, tem morte quase todo dia», afirmou outra moradora, que pediu para que não fosse identificada.

 

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