Agência Minas
15/09/2009
BELO HORIZONTE (15/09/09) - A Agência Metropolitana e a Fundação Dom Cabral (FDC) discutiram a situação do sistema viário da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), seus principais projetos e as perspectivas para os sistemas rodoviário e ferroviário da região. As discussões ocorreram na Fundação Dom Cabral, nesta terça-feira (15), durante o seminário “A Infraestrutura Viária Metropolitana”, aberto pelo vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho; o diretor geral da Agência Metropolitana, José Osvaldo Lasmar; o coordenador do Núcleo CCR de Logística e Infraestrutura da FDC, Paulo Resende e o diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG), José Elcio Monteze.
José Osvaldo Lasmar afirmou que a Agência Metropolitana está cumprindo seus objetivos de contribuir para a melhoria da mobilidade metropolitana. “Nosso programa de mobilidade tem ações estratégicas prioritárias até o final de 2009, que são a análise do processo de gestão da mobilidade metropolitana, o transporte de cargas e a logística urbana e a recuperação de todo o traçado ferroviário de Belo Horizonte que discutiremos no seminário “A Metrópole nos Trilhos.” Lasmar acrescentou que outras ações a serem promovidas pela Agência são estudos sobre o financiamento da mobilidade, atualização da pesquisa Origem e Destino, feita pela Fundação João Pinheiro (FJP) e estudos sobre segurança no trânsito.
Roberto Carvalho afirmou que a RMBH deve ser tratada com consciência metropolitana e hoje temos instrumentos institucionais para isso, como a Agência Metropolitana, que se tornou realidade muito antes do que se previa. “Ao ser pensada, a Agência foi prevista para ser uma realidade em três ou quatro anos, mas já tem muitas ações em andamento e vem dando suporte técnico e planejamento para encontrarmos soluções para essas questões fundamentais da região metropolitana”, disse.
De acordo com o vice-prefeito, Belo Horizonte é hoje um entroncamento nacional, o que gera muitas possibilidades e oportunidades. “Temos que construir o novo anel metropolitano, refazer vários viadutos e construir 11 trincheiras e os investimentos para isso são de R$ 30 milhões.” Carvalho informou também que com a construção do rodoanel norte, haverá diminuição de 22% do trânsito do atual anel e o rodoanel sul diminuirá essa carga em 30%, diminuindo o gargalo em que este entroncamento da região se transformou. “O rodoanel é prioridade do governo federal e só não foi licitado por impedimentos de cunho ambiental.” Carvalho disse que as obras estruturantes do anel Norte e Sul vão tirar 50% da demanda do anel atual ou 50 mil veículos/dia. “Essas obras vão permitir o planejamento da RMBH para que ela tenha competitividade como outras. Em relação à nova rodoviária o vice-prefeito informou que o bairro Calafate é o melhor local porque tem saídas para todas as rodovias. “É importante dizer para os moradores do Calafate que a ideia da prefeitura é levar o Boulevard Arrudas até a rodoviária, fazer a integração com o metrô, o que aliviará o trânsito na região, além da revitalização da região.
Soluções e perspectivas
Paulo Resende, especialista em logística e infra-estrutura da FDC, apresentou um estudo sobre as soluções encontradas por cidades europeias e latino-americanas para a questão da mobilidade urbana, como o Metrobus na Cidade do México, o Transmilênio em Bogotá e outros modelos implantados em diversos lugares como Curitiba, Grécia, Bélgica, França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e Suíça. Para ele, a mobilidade urbana é a oportunidade de melhorar a qualidade de vida da população. “Precisamos entender que ônibus não elimina metrô, os dois se complementam e são benefícios para todos e não somente para os mais pobres.”
Já o Superintendente do Dnit, Sebastião Donizete de Souza, falou das perspectivas viáveis para as rodovias federais e debateu o novo rodoanel, a via das indústrias, que ligará Betim ao BH Shopping, a revitalização do anel rodoviário e a duplicação da BR-381 até João Monlevade. Donizete explicou que o edital de licitação do novo anel rodoviário deverá se iniciar em outubro e prevê alargamento das pistas, nova pavimentação e interligação das marginais. “Estamos implementando uma fiscalização mais efetiva para minimizar os acidentes, causados quase sempre pela excessiva quantidade de veículos que trafegam no anel e a imprudência de alguns motoristas.” Em relação aos radares, explicou que até o fim do mês deverão ser religados. “Quero informar também que nesta quarta-feira (16) iniciaremos o processo nacional de licitação de radares, sendo 400 para Minas Gerais e cerca de 15 para o anel, que já tem 10”, explicou o dirigente. Donizete afirmou que a BR-381 será toda duplicada até João Monlevade e serão reformados 300 quilômetros até Governador Valadares. “Os projetos serão concluídos até 2010 e as obras começam em 2011, com retificação do traçado, de variantes e a construção de túneis onde for necessário”. Ele disse ainda que está em fase inicial o projeto da rodovia inteligente, que permitirá o monitoramento do tráfego e agilizará a ação das polícias rodoviárias nos acidentes.
José Elcio Monteze, diretor geral do DER, informou que os investimentos do Estado na RMBH são constantes, como a Linha Verde, onde foram investidos R$ 483 milhões, a avenida Antônio Carlos, com R$ 186 milhões do Estado e R$ 61 milhões da Prefeitura de BH. “No ProMG, em andamento, foram aportados R$ 48 milhões e tem mais R$ 22 milhões previstos, além de outras obras que totalizam R$ 99 milhões”, destacou. Acrescentou que já foram investidos R$ 3,8 milhões no Proacesso, contemplando 225 municípios que terão acessos pavimentados e outros R$ 8 milhões serão investidos em programas de melhoria da malha rodoviária do estado. Finalizou informando que serão identificados locais potencialmente perigosos na MG 10, onde serão implantados dispositivos de segurança, amortecedores de impacto, telas de anti-ofuscamento, defensas metálicas, o equipamento vibraline em alto relevo na via, e serviço de apoio integrado ao usuário em caso de acidentes.



