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Reciclar para crescer

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Estado de Minas
Quinta-feira, 08 de dezembro de 2011

Levantamento aponta categorias que mais precisam de qualificação profissional para garantir melhores salários. Cargos vão de administradores a vendedores e garçons

TRABALHO

QUEM SÃO ELES

Perfil dos trabalhadores na Grande BH*

MAIS QUALIFICADOS

>> 40 anos de idade, em média

>> Rendimento mensal de R$ 1.182

>> 7,4 anos de permanência no emprego

>> 79,2% contribuem para a Previdência

BAIXA QUALIFICAÇÃO

>> 45 anos de idade, em média

>> Renda mensal de R$ 686, 58% do que

ganham os mais qualificados

>> 8 anos de permanência no emprego

>> 64,9% contribuem para a Previdência

* REFERENTE A 2009/2010 - FONTE: DIEESE/FUNDAÇÃO

JOÃO PINHEIRO/SECRETARIA DE ESTADO DO TRABALHO

MARTA VIEIRA

A baixa qualificação profissional deixou de ser um problema dos trabalhadores desempregados na Grande Belo Horizonte e assume a condição de desafio imposto também aquém está na ativa e às empresas com planos de crescer. De toda a população empregada no entorno da capital mineira, a necessidade de aperfeiçoamento e reciclagem se tornou urgente entre administradores, gerentes e vendedores do comércio varejista, atendentes de bares, lanchonetes, garçons, frentistas e repositores de mercadorias, conforme estudo divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O levantamento recomenda, ainda, a prioridade que os jovens devem ganhar nos programas de qualificação profissional oferecidos pelo setor público e ainiciativa privada. Entre esses profissionais que enfrentam maior dificuldade para conseguir trabalhar e se manter no emprego, os que mais precisam de se qualificar são empregados domésticos, trabalhadores braçais, profissionais das áreas de atendimento ao público no comércio e nos serviços de alimentação e auxiliares de escritório. Os jovens da Grande BH convivem com uma taxa de desemprego de 19,2%, mais de três vezes superior ao nível de desocupação entre os adultos, de 6,2%, conforme as pesquisas mensais do Dieese, Fundação João Pinheiro e Secretaria de Estado do Trabalho. O estudo que mostra a relevância da qualificação profissional não só para o trabalhador como para o desempenho das empresas comparou a evolução do emprego e da chamada taxadeparticipação –o ingresso de quem está na idade de trabalhar no mercado – entre 2010 e 2001. Nesse período, a taxa de participação cresceu de 72,2% para 73,7%, enquanto o desemprego caiu de 18% para 9,3%. A má notícia é que ao mesmo tempo emque a economia teve dinamismo na geração de empregos e criou oportunidades de trabalho, o alto índice de pessoas de baixa qualificação se manteve,informou Gabrielle Selani, uma das autoras do estudo pelo Dieese. “Em muitos casos, percebemos que não há apagão de mão de obra, mas uma necessidade de qualificação do trabalhador naquelas áreas mais aquecidas da economia”, afirma. A falta de aperfeiçoamento profissionalacabou criando, de acordo com os pesquisadores, um grupo de profissionais de segunda categoria,comida demais avançada e rendimentos menores na comparação com quem se qualificou eprogrediu na carreira profissional. Na Grande BH, esse empregado com baixa qualificação recebeu R$ 686 mensais, em média, no biênio 2009/2010, representando 58% da renda média daqueles empregados considerados bem qualificados para o cargo que exercem (R$ 1.182).

BENEFÍCIOS SOCIAIS As condições mais precárias do trabalhador que não percebeu a importância da qualificação ounãopôdebancá-las se refletem também na participação menor dele nos benefícios sociais, a exemplo da aposentadoria. Desse grupo, 64,9% contribuem para a Previdência Social, aopasso que quase80% dos empregados com formação compatível com o cargo que exercem pagam para ter o benefício futuro.

 

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