BELO HORIZONTE (16/06/10) - No primeiro trimestre de 2010 o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais foi 12,2% maior que o desempenho observado nos três primeiros meses de 2009, em termos reais. No Brasil, na mesma base de comparação, o produto apresentou acréscimo de 9,0%. Em relação ao primeiro trimestre de 2008 o Brasil teve, no período, crescimento acumulado de 6,6% e Minas Gerais de 6,5%.
As informações são parte da pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) realizada pelo Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro (FJP) e já podem ser consultadas no site do órgão.
Considerando a diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário na atividade industrial, o volume do produto revela que o nível da atividade retornou ao mesmo patamar do primeiro trimestre de 2008. As taxas de crescimento acumulado no período foram de 2,7% para a indústria brasileira e de 1,4% para a indústria mineira. As taxas de crescimento acumuladas nos últimos quatro trimestres foram de 2,4% para a economia brasileira e 1,2% para a economia mineira.
“A economia mineira provavelmente continuará crescendo no mesmo ritmo nos próximos meses, já que os resultados vistos agora ainda são reflexos da retomada dos níveis pré-crise”, afirma o pesquisador do CEI, Reinaldo Carvalho de Morais.
A economia de Minas Gerais se destaca ainda pelo crescimento de 4,1% na produção de cana de açúcar, resultado que manteve o estado como segundo maior produtor nacional, à frente do estado do Paraná.
Setores
A crise internacional afetou de forma desigual a diversos setores econômicos e nem mesmo a recuperação na segunda metade do ano passado foi suficiente para gerar taxas anualizadas positivas. Em Minas Gerais, a agropecuária apresentou retração no primeiro trimestre de 2010, resultando em 3,3% inferior ao mesmo período no ano passado. Houve expansão de 7,5% nos serviços e de 22,9% na indústria.
Até meados de 2009, a evolução do índice do valor adicionado pelo setor de serviços, medida pela taxa anual, revela que houve desaceleração de -4,2% no crescimento. No setor industrial a desaceleração foi de -2,1% e na agropecuária de -5,0%.
Segundo a pesquisa, a agropecuária mineira apresentou decréscimo de 3,3% no primeiro trimestre de 2010. Tal resultado foi reflexo do fraco desempenho da produção vegetal, que apresentou recuo de 7,6% no período. Já a atividade pecuária teve alta de 4,6%.
A produção estadual de grãos da safra de 2009/2010 atingiu 10,1 milhões de toneladas, representando decréscimo de 2,8% sobre a safra anterior. Estima-se que houve aumento de 19,7% na safra de café deste ano e por se tratar de um produto relevante da agricultura mineira, o produto tem elevado percentual no valor agregado do setor. “Contudo, como a colheita ocorre no segundo e terceiro trimestres do ano, os efeitos do aumento na produção não são captados no primeiro trimestre”, explica Morais.
A alta nos preços do carvão vegetal em Minas, que subiu em média 28,2% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período de 2009, aumentou a atividade da silvicultura e a exploração vegetal de Minas Gerais, com aumento de produção de 48,3%. “O bom resultado pode ser atribuído à retomada da demanda das indústrias siderúrgica e metalúrgica no estado que, em 2009, reduziram drasticamente o consumo do produto”, observa Reinaldo Carvalho de Morais.
O desempenho da produção animal mineira em 2010 foi impulsionado pelos acréscimos observados na produção da avicultura (9,2%), bovinocultura (7,7%) e na produção de suínos (4,8%). Inversamente, ocorreu uma queda na produção de ovos (-1,6%) e na produção de leite (-1,4%) no primeiro trimestre de 2010.
Indústria
O crescimento do setor industrial de Minas Gerais foi de 22,9% no primeiro trimestre de 2010. Comparando com o mesmo período de 2009, a indústria brasileira teve crescimento de 14,6%.
Entre as quatro atividades que compõem o setor industrial, a indústria extrativa apresentou crescimento de 57%. O setor de transformação foi o que teve maior peso para o indicador industrial, tendo como principal destaque o setor de máquinas e equipamentos, com expansão de 106,7% na taxa trimestral, apontando positivamente para investimentos industriais no estado.
Europa
De acordo com Reinaldo Carvalho de Morais, a atual crise europeia tem pouco impacto sobre a economia de Minas Gerais por que, nos últimos anos, o destino dos produtos mineiros tem se expandido para outras praças, como China, o que de certa forma ameniza a dependência em relação à Europa. “Outro ponto muito relevante é a força do consumo interno no Brasil. A evolução da massa de rendimentos tem aumentado volume de vendas internas, o que confere menor importância às exportações para a atividade econômica”, conclui.



