Estudo mobiliza cantores e compositores mineiros
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“Minas Gerais tem uma força musical impressionante. Parece moto-contínuo, não para de aparecer gente”, constata Fernando Brant, presidente da UBC. Ele salienta que a dificuldade acaba sendo maior no estado, por causa da ausência de gravadoras e da grande mídia. Na opinião do letrista, um dos principais problemas da categoria continua sendo a questão dos direitos autorais. “Temos de conversar muito para não cometer os mesmos erros”, adverte. Fernando Brant lembra que sua geração foi “loucamente enganada”, principalmente no exterior, quanto aos próprios direitos. “No Brasil, também, o pessoal sempre editou com as gravadoras, perdendo o controle da própria obra”, lamenta Fernando Brant. Ele admite que, no caso do Clube da Esquina, houve precaução ao criar a pioneira Três Pontas, seguida da Nascimento e outras editoras. “Se a gente tomar conta do que é nosso, já é um grande passo”, acrescenta Sandra de Sá. Representante da Associação Artística dos Músicos de Minas Gerais (Amig) no Fórum da Música de Minas Gerais, a produtora Rose Pidner diz que o que mais chama a atenção no estudo do Sebrae é a ausência de políticas públicas para o setor. “A pesquisa revela a ânsia que nós temos de nos libertar das leis de incentivo, em busca de um novo caminho”, reivindica a produtora. “A união da classe musical mineira está acontecendo até um pouco tarde”, constata Pedro Morais, comemorando o marco registrado na noite de segunda-feira. “Mesmo que nossos interesses artísticos e mercadológicos sejam diferentes, este encontro é importante para dar maior representatividade política à categoria, forçando os órgãos públicos a olharem mais para a cultura, especialmente a música”, garantiu o jovem cantor-compositor. Pedro Morais lembra que as classes teatral e cinematográfica têm melhores mecanismos de acesso às políticas públicas. “Se não tivermos clareza e dimensão de nossos problemas, não conseguiremos nos mover”, alertou Sérgio Santos, que vê no estudo divulgado segunda-feira uma “grande luz” para os músicos. Por outro lado, o compositor acredita que por meio do diagnóstico seja possível chegar às ações cabíveis para melhorar a situação. “Acho que já estou ganhando estando aqui”, afirmou Vander Lee, lembrando que, diante do excesso de trabalho, os músicos acabam não entendendo os próprios problemas. “Às vezes, estamos dentro de um contexto que é maior do que o nosso conhecimento”, adverte. “Temos de pensar a coisa toda em termos de movimento”, defende o cantor. Novos parâmetros Makely Ka, por sua vez, acha fundamental ter indicadores para que o poder público possa investir objetivamente no setor. “Os músicos sabem o que falta. Tanto que nós colaboramos com a pesquisa, ao ajudar a formular as perguntas para o questionário. Mas ela é apenas o início de um processo. Acho que tem de haver pesquisas constantes para criar novos parâmetros”, reivindicou o cantor-compositor, associado da Cooperativa da Música de Minas (Comum). “A cultura hoje movimenta um mercado, gerando emprego e possibilitando uma economia, além do valor simbólico que representa. A pesquisa do Sebrae, portanto, também abre caminho para o investimento objetivo. Trata-se de uma tendência nacional”, afirma. De acordo com Luiz Marcio Hadad Pereira Santos, diretor de desenvolvimento do Sebrae-MG, a instituição vem dedicando estudos na área porque a música é uma atividade parceira e aliada de todos os outros segmentos econômicos apoiados pelo Sebrae. Além da pesquisa que acaba de divulgar, o Sebrae-MG desenvolve programas de capacitação gerencial de grupos musicais e de fornecedores do setor (serviços terceirizados para shows e eventos do gênero), além de prestar atendimento individual ao músico. Para a coordenadora do diagnóstico da cadeia produtiva da economia da música em Belo Horizonte, Marta Procópio, foi preciso montar um verdadeiro quebra-cabeça para chegar aos números divulgados. “Primeiro fomos entender a política cultural brasileira para chegar ao estado e ao município”, explica a economista da Fundação João Pinheiro, salientando que o foco do estudo foi o músico. O fôlego dos artistas e produtores da capital mineira a deixou impressionada. |




