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Minas guarda grande contraste regional

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Estado de Minas
30/04/2010

Amanda Almeida

Mais da metade dos municípios de Minas está longe de oferecer uma boa qualidade de vida aos moradores. É o que aponta o Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS) de 2006, divulgado quinta-feira pela Fundação João Pinheiro (FJP), com indicadores de saúde, renda, segurança pública, meio ambiente e saneamento, cultura e esporte, além de finanças municipais. Em uma escala de 0 a 1, sendo 1 o nível máximo, 53,2% das cidades atingiram notas entre 0,4 e 0,5.

O pior índice é de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, com 0,452, eleita pelo presidente Luiz Inácio da Silva um dos símbolos do programa Fome Zero, hoje Bolsa-Família. Já Belo Horizonte ficou no 6º lugar, com 0,717, subindo 21 posições em relação ao último estudo, em 2004. No topo da lista, com 0,736, Nova Lima é um clássico exemplo dos contrastes do estado. A cidade da Grande BH, que se firmou como extensão da Zona Sul da capital, é a melhor avaliada em renda, mas uma das piores em saúde.

Organizada pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (Cepp) da FJP, a segunda edição do IMRS tem como fonte principal registros administrativos e amplia o banco de dados da primeira, divulgada em 2005, com dados de 2000 a 2005. “Não é uma pesquisa de campo, em que vamos a cada cidade. Estas pesquisas são demoradas e implicam um grande investimento. Por meio dos registros, temos um estudo em periodicidade curta, permitindo uma maior atualização. O último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo, é de 2000. Fica muito difícil para um gestor público trabalhar com informações desatualizadas”, explica a coordenadora do estudo, Maria Luiza de Aguiar Marques.


RETRATOS

A coordenadora ressalta que é preciso analisar cada indicador do IMRS. “O mais importante é ampla fonte de dados. É necessário mais do que olhar a colocação de cada cidade, identificar cada indicador para entender os problemas dos municípios”, diz. Os moradores de Nova Lima são o retrato da necessidade de interpretação do estudo. A cidade obteve bons resultados em renda e emprego, educação e meio ambiente e saneamento, mas está entre as piores no quesito saúde. “Temos muitas mazelas no município. Imagino que em renda a explicação para a primeira posição é a grande concentração de condomínios luxuosos na região”, avalia a operadora de marketing Sônia Pereira da Costa, de 38 anos.

Ela é uma das centenas de moradores que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de ter ficado no topo entre os municípios, Nova Lima está apenas na 625ª colocação em saúde. “A situação é realmente muito precária na cidade. Temos uma dificuldade imensa quando precisamos de socorro imediato. Se recorremos ao único hospital da cidade, eles nos mandam para a única policlínica. Só os dois locais atendem emergências. Mesmo assim, hospital é só em caso de vida ou morte”, relata. Na quinta-feira, ela esperou duas horas para conseguir atendimento na policlínica municipal.

Riqueza

Segundo a técnica em enfermagem Margarete Nunes, de 44, é difícil conseguir atendimento pré-natal em Nova Lima. Ela demorou três meses para conseguir a primeira consulta para a filha Ágata Nunes, de 17. “Ela precisava de uma consulta urgentemente. Estava passando mal e corria risco de perder o bebê. Mesmo assim, só conseguimos em um posto a 40 minutos da nossa casa. Depois, encaminharam para uma unidade mais próxima, mas é comum faltar ginecologista”, conta.

Contrastando com as muitas carências, condomínios luxuosos fazem parte do município. “Houve uma política habitacional muito forte para que a cidade fosse a extensão da Zona Sul de BH. Não foi algo negativo para os moradores de Nova Lima. A chegada da classe média na cidade trouxe mais empregos, saneamento, escolas e outras preocupações. A qualidade de vida do município melhorou. Moro aqui desde os 13 anos e acompanhei o processo. Antes, havia muitas ruas sem calçamento. Hoje, vemos recursos chegando aos moradores”, avalia o procurador de justiça Ronald Albergaria, de 47.

Capital

Da 27ª posição em 2004, Belo Horizonte passou a ocupar o 6º lugar. Apesar da melhoria, a cidade ocupa uma das piores colocações em segurança pública, a 844ª. O indicador avalia dados sobre crimes violentos contra a pessoa, crimes violentos contra o patrimônio, quantidade de habitantes por policiais civis e militares e gastos com segurança pública.

“Não me sinto segura em BH. Já fui assaltada várias vezes. Vivi situações que vão desde o arrombamento da minha casa até um canivete no meu pescoço. A gente tem de andar cabreira por todos os lados”, diz a aposentada Enei de Oliveira, de 67 anos.

O IMRS foi organizado em uma base de dados com cerca de 350 indicadores municipais. “É uma avaliação da responsabilidade social do poder público em todos os âmbitos: federal, estadual e municipal”, explica a coordenadora do estudo Maria Luiza Marques. A base de dados completa pode ser acessada no site www.fjp.gov.br.

 

 

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