Da Redação
A proposta de implantação de uma Escola de Governo, instituída junto ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, com o intuito de formar e capacitar gestores para as sete prefeituras da região deve ser apresentada a todos os prefeitos em breve. Os autores do projeto, Mateus Prado e Paulo de Tarso, presidente e diretor executivo do Instituto Henfil, respectivamente, discutiram a ideia com Clóvis Volpi há algumas semanas.
O atual presidente do Consórcio e prefeito de Ribeirão Pires se comprometeu a incluir a proposta na pauta de discussão dos prefeitos durante as reuniões ordinárias. Somente com o aval dos administradores o projeto seria encaminhado para os Grupos de Trabalho da entidade. "Neste momento estamos em processo de sensibilização dos prefeitos", adianta Mateus Prado. Além de Volpi, a secretária de Orçamento e Planejamento Participativo de São Bernardo, Nilza Aparecida de Oliveira, também já ouviu a proposta, representando o prefeito Luiz Marinho.
"Cada um dos administradores tem sua especificidade acerca do projeto. No caso do Volpi, ele gostou da ideia de criar um curso de ingresso para candidatos a concurso público. Já São Bernardo aprova o projeto, mas prevê dificuldade na articulação com os demais prefeitos", informa Prado.
Para o presidente do Instituto Henfil, a iniciativa é uma homenagem ao prefeito Celso Daniel, assassinado há oito anos. “Desde que o Celso faleceu, a discussão de políticas públicas como essa se perdeu”, lamenta.
Modelo é baseado em experiência de MG
O projeto segue o modelo da escola de governo da Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, que oferece cursos para a formação dos quadros gerenciais que atuam no Governo do Estado de Minas Gerais. O vestibular, neste caso, equivale ao ingresso no setor público, assim como um concurso.
O aprovado frequenta um curso de quatro anos, com uma bolsa de um salário mínimo mensal, bancada por um órgão público - no caso a prefeitura. Após o término do curso, o gestor passa a integrar o quadro de funcionários levando consigo noções de administração, legislação, além de formação, implementação e avaliação de políticas públicas.
A condição é de que o profissional, após formado, trabalhe ao menos dois anos na prefeitura, para compensar o investimento do órgão público em sua formação universitária. A ideia é de que as prefeituras da região financiem cerca de 20 vagas. "Temos consciência de que é um projeto difícil de ser implantado, mas há grandes ganhos para a região. É uma condição ímpar, já que o meio acadêmico terá um diálogo direto com as prefeituras, possibilitando a criação de um obervatório de políticas públicas e a elaboração de indicadores sociais do ABC", destaca. A proposta não necessariamente seria implementada pelo Instituto Henfil, podendo ser executada por qualquer outro órgão educacional habilitado.
Curso Técnico
Outro projeto - este praticamente sacramentado - é o curso técnico gratuito de Administração Pública e Sustentabilidade, também do Instituto Henfil, destinado a pessoas que já completaram ao menos o 1º ano do Ensino Médio. O curso, com duração de dois anos, terá de 40 a 60 vagas e o vestibular está inicialmente agendado para o segundo semestre deste ano. O local das aulas ainda está sendo negociado. "Temos conversado com as prefeituras para abrir a oportunidade desses alunos fazerem estágio nas administrações", diz o diretor executivo, Paulo de Tarso.



