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Com retomada de crescimento, indústria mineira tem expectativa positiva para 2010

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Agência Minas
18/03/2010

BELO HORIZONTE (18/03/10) - A expectativa de crescimento para a indústria mineira em 2010 é positiva e pode superar os 12%. Apesar de apresentar queda de menos 1,1% em novembro e menos 0,1% em dezembro, o setor registrou crescimento de 1,7% em janeiro. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, cuja análise pelo Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro (FJP) já pode ser consultada no site da instituição.

Segundo a pesquisa, considerando o desempenho dos setores de atividades que compõem a indústria mineira em relação ao mês de janeiro de 2009, as indústrias extrativa e de transformação apresentaram, em dezembro, crescimento de 59,3% e 24,8% respectivamente. “A alta expressiva ocorreu devido à fraca base de comparação e à recuperação da produção ao longo de 2009. Como a redução na produção por conta da crise foi maior na indústria extrativa, a taxa agora apresentada é naturalmente mais alta”, explica o coordenador do estudo, Pedro Henrique da Silva Castro.

Na indústria de transformação, 11 das 12 atividades pesquisadas em Minas Gerais apresentaram crescimento na produção, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A única exceção foi a atividade fumo, com queda de 9,8%.

A metalurgia básica foi a atividade que teve a maior contribuição para a formação da taxa geral. Se comparado com janeiro de 2009, o crescimento foi de 72,2%. Pedro Castro explica que a indústria ainda não recuperou o nível de produção pré-crise e ainda precisará de tempo para fazê-lo. “A retomada da produção industrial tem sido pautada, sobretudo, na demanda doméstica e na demanda chinesa, esta última muito importante, por exemplo, para a indústria extrativa”, afirma.

No setor de máquinas e equipamentos a produção de janeiro foi 7,5% maior do que do mesmo mês de 2008. Na indústria de transformação, porém, verificou-se queda de 8,1% na comparação a janeiro de 2008. Nesta mesma comparação, os únicos setores que apresentam alta foram alimentos (15,9%), celulose, papel e produtos de papel (5,3%), minerais não-metálicos (6,6%) e máquinas e equipamentos (7,5%).

O coordenador do estudo destaca, porém, que o aumento do IPI poderá diminuir o ritmo do setor industrial, da mesma forma que sua redução em 2009 incentivou a produção. “Esse efeito já foi levado em consideração na formulação da medida. O objetivo era conter a queda da atividade econômica durante o pior momento da crise, tentando romper com uma possível espiral negativa de pessimismo por parte de agentes econômicos. Alcançado o objetivo, é hora de se retirar o estímulo, o que, embora tenha o efeito de desestimular a produção, não deve reverter o bom momento da economia doméstica e, em particular, da indústria”, avalia.

Indústria brasileira

Segundo o relatório Focus, do Banco Central, as projeções para a indústria brasileira em 2010 apontam para 8,7%. A tendência atual do indicador de crescimento acumulado em doze meses, em todos os estados, é de recuperação à medida que os meses de baixa produção, como janeiro de 2009, são substituídos, no cômputo do índice, por meses em que a recuperação já pode ser observada, como em janeiro 2010.

“O crescimento de 1,7% na indústria de Minas é um pouco superior ao observado no país, que teve 1,1% após dois meses consecutivos de retração; menos 0,8% em novembro e menos 0,2% em dezembro”, observa Pedro Castro.

O pesquisador explica que a indústria brasileira também deve continuar sua trajetória de recuperação. “A velocidade dessa recuperação medida pelas taxas mês/mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal, não será tão rápida quanto foi ao longo de 2009 por que boa parte da ociosidade da capacidade instalada já foi eliminada”, observa Castro.

De acordo com o pesquisador, a recuperação ocorrida até o momento é resultado do mercado doméstico ainda aquecido. “Para que a recuperação prossiga com mais fôlego é necessário que o mercado externo se recupere. Isto vem acontecendo, porém lentamente, e não sem riscos de reversão”, conclui.

 

 

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