BELO HORIZONTE (16/03/10) - A perspectiva de crescimento para o setor do comércio em Minas Gerais no ano de 2010 é positiva e não vai mudar com o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido. O crescimento do comércio mineiro irá acompanhar o crescimento da economia brasileira, que já ocorre desde o segundo semestre de 2009.
A análise está no Boletim Mensal sobre Comércio Varejista, desenvolvido pelo Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro (FJP) já disponível no site da instituição. De acordo com o estudo, o volume de vendas no comércio varejista em Minas no mês de janeiro teve alta de 1,8%. No Brasil a expansão foi de 2,7%, após a queda de 0,7% no mês anterior.
Nos últimos doze meses, o volume de vendas no comércio varejista no Estado também apresentou alta de 5,2%. No comércio varejista ampliado, que inclui a venda de veículos e material de construção, a alta foi de 7,6%. No Brasil a alta foi de 7,4%.
No mês de janeiro, o comércio varejista ampliado registrou alta de 12,2%, na comparação com janeiro de 2009, com nove dos dez segmentos do comércio tiveram resultado positivo. A exceção foi o segmento livros, jornais, revistas e papelaria, que teve retração de 8,5%. Em sentido contrário, os segmentos de veículos, motocicletas, partes e peças se destacaram no critério de contribuição para a formação da taxa, com 15,5%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 9,5%; material de construção, com 19,9%; e móveis e eletrodomésticos, com 18,0%.
“Com exceção do segmento ligado a hipermercados, há em comum entre eles o fato de terem sido beneficiados com desoneração tributária, por parte do governo federal”, observou o coordenador da pesquisa, Pedro Henrique da Silva Castro.
De acordo com Castro, o setor de comércio - varejista e atacadista - contribui aproximadamente com 12% de toda a renda produzida em Minas Gerais. “O comércio está intimamente ligado ao consumo das famílias e o fato desta variável ter continuado a crescer apesar da crise serviu para compensar, em parte, o impacto da queda dos investimentos sob a demanda agregada e, portanto, sobre o nível de atividade econômica”, explicou.
Setores
Além dos veículos, que tiveram em 2009 a redução das alíquotas de IPI como medida de combate à crise econômica, há também uma lista produtos do segmento de material de construção com redução de IPI até junho de 2010. “A desoneração foi importante para a recuperação do setor, que foi fortemente afetado nos momentos iniciais da crise. Com isto, na análise do bom resultado do setor (19,9%), deve-se também levar em consideração a fraca base de comparação. Em janeiro de 2009 houve queda de 9,0%”, destacou Castro.
O incentivo fiscal até janeiro também contribuiu para o bom resultado da atividade de móveis e eletrodomésticos da linha branca. Com a expansão da oferta de crédito, as vendas foram aquecidas no primeiro mês de 2010.
Histórico
No último trimestre de 2008, o volume de vendas do comércio varejista passou por uma baixa, mas rapidamente recuperou o nível pré-crise. Em 2009, nos meses de março e abril, o setor sofreu uma curta acomodação, mas se recuperou impulsionado pelo crescimento da massa salarial e da expansão do crédito para pessoas físicas. Em janeiro de 2010 foi registrado volume de vendas de 9,0% maior do que em setembro de 2008, mês que antecedeu a crise financeira.
Para o coordenador da pesquisa, o mercado de trabalho influenciou o resultado do setor de comércio. “A taxa de desemprego não aumentou muito e, em janeiro de 2010, estava em 6,0%, de acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego. Ao longo de 2009, o rendimento real médio cresceu 4,1% na RMBH. Esses resultados contribuíram para manter o nível de consumo das famílias que, passado o período de redução no final de 2008, cresceu continuamente ao longo de 2009. Já em fevereiro de 2009 o volume de vendas no comércio varejista mineiro foi capaz de alcançar o nível pré-crise, descontando os efeitos sazonais”.



